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Algozes de Mostar conhecem hoje sentença do TPIJ

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Algozes de Mostar conhecem hoje sentença do TPIJ

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É esta quarta-feira que o Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia pronuncia a sentença no caso de seis altos dirigentes da Bósnia acusados de crimes contra a Humanidade, violação das leis e costumes da guerra e da Convenção de Genebra cometidos entre 1992 e 1994.

Os residentes da cidade de Mostar aguardam com expetativa a decisão dos juizes, tão divididos como sempre. “Espero que não sejam condenados, que sejam libertados e não haja mais problemas”, diz uma mulher.

Para outro homem, "em princípio, todos os crimes têm um nome e um apelido e toda a gente tem que responder pelos seus crimes".

Mais de 20 anos depois, alguns ex-prisioneiros croatas têm ainda presentes na memória cada dia do cativeiro nos campos de detenção de Mostar. Safet Nozic, conta:

"Era Junho, um calor escaldante. Estávamos presos num hangar de metal uns cerca de 500 ou 600, desidratados, e abandonados sem água. Deixaram-nos três dias sem uma gota de água e sem comida. Enquanto homem e vítima, espero que seja feita justiça. Quero acima de tudo a verdade geral e, depois, deixamos a história ocupar-se de todos os detalhes".

Entre 1992 e 1994, os homens bósnios eram levados indiscriminadamente pelos comandos croatas da Bósnia Herzegovina para o campo de Heliodrom, sobrevivendo em condições muito penosas.

São os responsáveis por esse campo - Jadranko Prlić, Bruno Stojić, Slobodan Praljak, Milivoj Petković, Valentin Ćorić and Berislav Pušić - que ouvirão esta terça-feira a sentença do TPI para a ex-Jugoslávia.

Desde o fim da Guerra, em 1995, que as entidades croata e bósnia tentam restabelecer os laços entre as duas comunidades, muitas vezes sem sucesso. Resta saber se a decisão do tribunal internacional criado sob a égide da ONU não vai ainda dificultar mais as relações entre ambas.