ELN ameaça rejeitar acordo de paz na Colômbia

Access to the comments Comentários
De  Euronews
ELN ameaça rejeitar acordo de paz na Colômbia

<p>O Exército de Libertação Nacional (<span class="caps">ELN</span>) é atualmente o maior grupo rebelde armado da Colômbia. Depois do desarmamento das Forças Armadas Revolucionárias (<span class="caps">FARC</span>), tornou-os na última grande guerrilha no país.</p> <p>Com uma negociação de paz com o governo colombiano a decorrer em Quito, no Equador, até 09 de janeiro, o <span class="caps">ELN</span> concedeu à <b>euronews</b> acesso exclusivo a bases remotas do grupo na selva colombiana para que pudéssemos testemunhar o dia-a-dia da guerrilha ao mesmo tempo que o processo de paz avança.</p> <blockquote class="twitter-video" data-lang="pt"><p lang="es" dir="ltr">Vemos el barco de la Armada colombiana llegando al lugar del Encuentro Regional en Chocó. <a href="https://twitter.com/ELN_RANPAL_COL?ref_src=twsrc%5Etfw"><code>ELN_RANPAL_COL</a> </code>luchoceliscnai@VerdadAbierta <a href="https://t.co/S1G6FP4ztT">pic.twitter.com/S1G6FP4ztT</a></p>— Comandante Uriel (@UrielComandante) <a href="https://twitter.com/UrielComandante/status/940678820629241857?ref_src=twsrc%5Etfw">12 de dezembro de 2017</a></blockquote> <script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <p>Ao contrário das <span class="caps">FARC</span>, cujo financiamento estava ligado ao tráfico de droga, os fundos do <span class="caps">ELN</span> provêm maioritariamente de raptos e de extorsão. </p> <p>Tal como a guerrilha rival, que declarou em meados deste ano “o adeus às armas e o adeus às guerras”, o <span class="caps">ELN</span> está a negociar o seu próprio acordo de paz e, após meio século de luta, a 01 de outubro acordou tréguas. </p> <p>Frágeis, contudo, e com várias ameaças ao sucesso.</p> <div style="float: none; clear: both; width: 100%; position: relative; padding-bottom: 56.25%; padding-top: 25px; height: 0;"> <iframe style="position: absolute; top: 0; left: 0; width: 100%; height: 100%;" src="http://pt.euronews.com/embed/390885" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div></p> <p>O comandante da frente de guerra ocidental “Omar Gómez” acusa o Governo pela instabilidade das negociações.</p> <p>“Dizem da boca para fora que querem a paz, mas na prática não o vemos. O que vemos são ações de guerra. Vemos mais líderes assassinados e a saúde mais deteriorada”, afirmou o líder militar apelidado “Uriel” à nossa reportagem.</p> <blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-version="7" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:658px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);"><div style="padding:8px;"> <div style=" background:#F8F8F8; line-height:0; margin-top:40px; padding:62.5% 0; text-align:center; width:100%;"> <div style=" background:url(data:image/png;base64,iVBORw0KGgoAAAANSUhEUgAAACwAAAAsCAMAAAApWqozAAAABGdBTUEAALGPC/xhBQAAAAFzUkdCAK7OHOkAAAAMUExURczMzPf399fX1+bm5mzY9AMAAADiSURBVDjLvZXbEsMgCES5/P8/t9FuRVCRmU73JWlzosgSIIZURCjo/ad+EQJJB4Hv8BFt+IDpQoCx1wjOSBFhh2XssxEIYn3ulI/6MNReE07UIWJEv8UEOWDS88LY97kqyTliJKKtuYBbruAyVh5wOHiXmpi5we58Ek028czwyuQdLKPG1Bkb4NnM+VeAnfHqn1k4+GPT6uGQcvu2h2OVuIf/gWUFyy8OWEpdyZSa3aVCqpVoVvzZZ2VTnn2wU8qzVjDDetO90GSy9mVLqtgYSy231MxrY6I2gGqjrTY0L8fxCxfCBbhWrsYYAAAAAElFTkSuQmCC); display:block; height:44px; margin:0 auto -44px; position:relative; top:-22px; width:44px;"></div></div> <p style=" margin:8px 0 0 0; padding:0 4px;"> <a href="https://www.instagram.com/p/Bcm_uA2hJzw/" style=" color:#000; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none; word-wrap:break-word;" target="_blank">Saboteo por parte del Estado colombiano a las iniciativas de paz del #ELN en #Chocó</a></p> <p style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; line-height:17px; margin-bottom:0; margin-top:8px; overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;">Uma publicação partilhada por Comandante Uriel (@comandanteuriel) a <time style=" font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; line-height:17px;" datetime="2017-12-12T16:45:43+00:00">Dez 12, 2017 às 8:45 <span class="caps">PST</span></time></p></div></blockquote> <script async defer src="//platform.instagram.com/en_US/embeds.js"></script></p> <p>O <span class="caps">ELN</span> não esconde a desconfiança perante o governo colombiano e justifica-a com as mudanças impostas no respetivo acordo por comparação com o das <span class="caps">FARC</span>.</p> <p>“Pensávamos que os acordos estavam blindados. Foi isso que foi apresentado à opinião pública. Blindados pela Justiça Especial de Paz (<span class="caps">JEP</span>), que foi pactuado um ano antes do acordo final e que lhes garantia segurança jurídica. Diante da <span class="caps">ONU</span> e da comunidade internacional supostamente estavam blindados. E agora o que estão a fazer? Alteraram-no”, acusou “Uriel.”</p> <p>O <span class="caps">ELN</span> alega pretender um acordo que acabe com as desigualdades na Colômbia.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="und" dir="ltr"><a href="https://t.co/rGzsAraWFa">https://t.co/rGzsAraWFa</a></p>— Noticias <span class="caps">RCN</span> (@NoticiasRCN) <a href="https://twitter.com/NoticiasRCN/status/937192206414295040?ref_src=twsrc%5Etfw">3 de dezembro de 2017</a></blockquote> <script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <p>As <span class="caps">FARC</span> e o <span class="caps">ELN</span> formaram-se em 1964 com o objetivo de lutar pelo direito à terra e proteger as pobres comunidades rurais.</p> <p>O <span class="caps">ELN</span> acredita que o acordo das <span class="caps">FARC</span> não garante esses princípios, como nos contou o comandante da frente de guerra “Ernesto ‘Che’ Guevara.”</p> <p>“Nós somos o Exército de Libertação Nacional. Os velhos que estão lá sentados [em Quito] a negociar devem ser muito cuidadosos e olhar para isto com óculos. Porque esse pacto assinado com as <span class="caps">FARC</span>, em Havana, é uma demonstração e um exemplo para nós não seguirmos”, referiu o líder militar apelidado “Julio.”</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="pt" dir="ltr">Chefe negociador do governo colombiano com o <span class="caps">ELN</span> pede para deixar cargo <a href="https://t.co/SEgNNELpJ5">https://t.co/SEgNNELpJ5</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/Colombia?src=hash&ref_src=twsrc%5Etfw">#Colombia</a> <a href="https://t.co/4Be1jn9KvA">pic.twitter.com/4Be1jn9KvA</a></p>— Agência <span class="caps">EFE</span> Brasil (@BrasilEFE) <a href="https://twitter.com/BrasilEFE/status/937712103548432385?ref_src=twsrc%5Etfw">4 de dezembro de 2017</a></blockquote> <script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <p>Enquanto prosseguem as negociações no Equador, o <span class="caps">ELN</span> mantém as rotinas.</p> <p>A história da guerrilha é ensinada. Espingardas misturam-se com cadernos de apontamentos nas salas de aula.</p> <div style="float: none; clear: both; width: 100%; position: relative; padding-bottom: 56.25%; padding-top: 25px; height: 0;"> <iframe style="position: absolute; top: 0; left: 0; width: 100%; height: 100%;" src="https://www.youtube.com/embed/q_1HyNsb4Og" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div></p> <p>Tal como as <span class="caps">FARC</span>, o <span class="caps">ELN</span> nasceu há pouco mais de cinquenta anos, mas viveu sempre ofuscado pela guerrilha rival.</p> <p>“Fomos ignorados pela imprensa. Nos tempos das <span class="caps">FARC</span>, tudo era <span class="caps">FARC</span>. Inclusive ações do <span class="caps">ELN</span> eram atribuídas às <span class="caps">FARC</span>. O <span class="caps">ELN</span> não existia”, lamentou “Uriel”.</p> <p>O líder militar da chamada “Omar Gómez”, a frente de guerra ocidental, acrescenta que “uma vez desmobilizadas as <span class="caps">FARC</span>”, as forças no poder “precisaram de um novo inimigo” até “porque grande parte do eleitorado e grande parte da legitimidade de quem manda”, acusa “Uriel”, “é baseado no medo da população.”</p> <p>Algumas zonas antes dominadas pelas <span class="caps">FARC</span>, são agora palcos de confrontos por grupos rivais em busca de poder e do controlo dos respetivos recursos locais. </p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="es" dir="ltr">El <span class="caps">ELN</span> asume la autoría del asesinato de 13 personas en el sur de Colombia <a href="https://t.co/1D2PjQC00E">https://t.co/1D2PjQC00E</a></p>— EL PAÍS (@el_pais) <a href="https://twitter.com/el_pais/status/939326634230013952?ref_src=twsrc%5Etfw">9 de dezembro de 2017</a></blockquote> <script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <p>O <span class="caps">ELN</span> tem cobrado impostos sobre o tráfico de droga e a prospeção mineira clandestina, mantendo também os raptos. Por isso, é considerado pela União Europeia como uma organização terrorista.</p> <p>“Sabemos que a União Europeia faz parte do imperialismo mundial. [Os países europeus] juntaram-se exatamente para fazer um contrapeso mais forte ao imperialismo dominante norte-americano”, defende “Uriel.”</p> <p>O <span class="caps">ELN</span> está convencido de que o recurso às armas ainda será necessário na Colômbia. “Uriel” garante que o poder de acabar com a guerrilha “está nas mãos” dos governantes. “Como? Tirem-nos os argumentos”, disse.</p> <p>“Quando o povo tiver todo o necessário para viver, todas as oportunidades, por que motivo irá continuar a considerar a guerrilha como opção? Quem é capaz de levantar uma guerrilha na Noruega ou na Finlândia?”, questionou o líder da frente de guerra ocidental, comparando a realidade social destes dois países europeus com a da Colômbia.</p> <p>Justificada pela desconfiança e pela fragilidade das negociações, a preparação militar não para. O <span class="caps">ELN</span> acredita que se não for possível prolongar as tréguas para lá de 09 de janeiro, vão ser atacados em força pelo exército colombiano.</p> <p>Um dos guerrilheiros do <span class="caps">ELN</span> assumiu mesmo à <b>euronews</b> a necessidade do grupo “estar preparado”. Mesmo quando acabar, vamos continuar a lutar”, anteviu um guerrilheiro identificado como “Jonathan.”</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="es" dir="ltr">Sin armas ni uniforme Frente de Guerra Occidental dialoga con comunidades, etnias y organizaciones sociales del Chocó. Sumamente grave la llegada de tropas del Ejército fuertemente armadas. <a href="https://t.co/QIN5rIJP8T">pic.twitter.com/QIN5rIJP8T</a></p>— <span class="caps">ELN</span> Paz (@ELN_Paz) <a href="https://twitter.com/ELN_Paz/status/940709651259281413?ref_src=twsrc%5Etfw">12 de dezembro de 2017</a></blockquote> <script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <p>Após meio século de conflito, mais de 250.000 mortos e sete milhões de refugiados, o processo de paz para a Colômbia prossegue numa mesa do Equador, mas frágil.</p> <p>O nosso enviado especial ao esconderijo da guerrilha conta-nos que “o <span class="caps">ELN</span> mantém os exercícios militares prevenindo um eventual fracasso das negociações de Quito, mas também por causa das eleições em meados do próximo ano na Colômbia.”</p> <p>“Uma vitória da oposição liderada por Álvaro Uribe, que já se mostrou contrário aos acordos de Havana com as <span class="caps">FARC</span>, pode introduzir novos termos nas negociações com o <span class="caps">ELN</span>. Termos que talvez não sejam aceites por esta guerrilha”, adverte Héctor Estepa, em representação da <b>Euronews</b> algures nas florestas húmidas de Chocó, um dos trinta departamentos colombianos, situado na região noroeste do país.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="es" dir="ltr">Seguimos empeñados en la construcción conjunta, a pesar de los sabotajes. <a href="https://twitter.com/DiariodelSur?ref_src=twsrc%5Etfw"><code>DiariodelSur</a> <a href="https://twitter.com/DeCurreaLugo?ref_src=twsrc%5Etfw"></code>DeCurreaLugo</a> <a href="https://twitter.com/luchoceliscnai?ref_src=twsrc%5Etfw"><code>luchoceliscnai</a> <a href="https://twitter.com/VerdadAbierta?ref_src=twsrc%5Etfw"></code>VerdadAbierta</a> <a href="https://t.co/Ov8KRhpXZw">pic.twitter.com/Ov8KRhpXZw</a></p>— Comandante Uriel (@UrielComandante) <a href="https://twitter.com/UrielComandante/status/940787050500055041?ref_src=twsrc%5Etfw">13 de dezembro de 2017</a></blockquote> <script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <div style="float: none; clear: both; width: 100%; position: relative; padding-bottom: 56.25%; padding-top: 25px; height: 0;"> <iframe style="position: absolute; top: 0; left: 0; width: 100%; height: 100%;" src="https://www.youtube.com/embed/X8TVz7gYxCM" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div></p>