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Putin diz que ligação Rússia-EUA na eleição de Trump é "uma invenção"

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Putin diz que ligação Rússia-EUA na eleição de Trump é "uma invenção"

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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, considerou esta quinta-feira os alegados contactos entre membros do seu governo e elementos da candidatura presidencial de Donald Trump em 2016 uma "invenção".

Na sua sessão anual de perguntas e respostas, uma tradição que cumpriu hoje no Kremlin pelo 12º ano consecutivo e na qual enfrenta durante várias horas questões de natureza nacional e internacional, o líder russo não deixou de apontar o dedo aos opositores do atual presidente dos Estados Unidos e falou em "certas restrições" em torno de Trump que têm evitado a melhoria das relações entre os dois países.

"Tudo isso foi criado pelas pessoas que se opõem a Trump para retirarem legitimidade ao seu trabalho. Tenho a certeza de que, finalmente, poderemos normalizar a nossa relação, no interesses das pessoas americanas e russas e devemos desenvolvê-lo lidando com as ameaças comuns que enfrentamos", afirmou.

Aida em relação aos EUA, o presidente russo disse que "cabe aos americanos" avaliar o mandato do seu homólogo, mas defendeu a existência de "êxitos claros" de Trump, nomeadamente a nível económico, com o "crescimento a nível bolsista", frisando que os investidores e os mercados confiam na sua política.

Igualmente em foco na agenda internacional esteve o dossier da Ucrânia, em que Vladimir Putin não hesitou em responsabilizar o governo de Kiev pelo impasse na região. Para o presidente russo, os dois países "representam um único povo" e alertou para o "risco de um massacre" por parte dos nacionalistas ucranianos, criticando as autoridades do país vizinho por não chegarem a um entendimento com os rebeldes.

"A eficácia é muito baixa, claro. E, na minha opinião, é por causa da posição não construtiva das autoridades de Kyiv. Eles não têm intenção de implementar os acordos de Minsk ou de iniciar o processo político real, que pode ser finalizado pelo acordo sobre um estatuto especial para Donbass", explicou.

Paralelamente, Vladimir Putin defendeu o papel russo na Síria, a continuidade das boas relações com a China e, sobretudo, uma estabilização no problema em torno da Coreia do Norte. Em relação a este tema, Putin acusou os EUA de também terem provocado no passado os norte-coreanos e assegurou que um eventual ataque "seria catastrófico", salientando a importância de de evitar uma nova escalada da tensão entre Donald Trump e Kim Jong-Un.

Já no domínio interno, o líder russo confirmou que avança como candidato independente às eleições de março de 2018, nas quais procura o seu quarto mandato, e deixou uma 'farpa' aos opositores, considerando que estes devem ser mais competentes e focar-se nas reais "preocupações do povo russo". Recorde-se que as últimas sondagens apontam para a sua reeleição, com cerca de 60 por cento dos votos.

A proximidade das eleições está também, no entender de Putin, ligada ao escândalo de doping que abalou o desporto russo e ditou a decisão do Comité Olímpico Internacional de banir o país dos próximos Jogos Olímpicos de Inverno. "Toda esta situação tem motivações políticas", frisou, sem deixar de descredibilizar Grigory Rodchenko, o anterior líder da agência antidoping russa e principal testemunha no caso. Putin afirmou que este já teve no passado "problemas psicológicos e judiciais" e assumiu a sua nomeação para o cargo como um "erro". Face a este tema, o presidente da Rússia assegurou também que vai agir judicialmente contra a decisão do COI.

Ainda nas questões de política nacional, Vladimir Putin definiu como prioridades para o novo mandato o desenvolvimento de infraestruturas, a saúde, a educação e a tecnologia.

Sobre o passado recente, o líder da Rússia enalteceu o que disse serem os progressos a nível económico, nomeadamente o recorde de exportações agrícolas, a baixa inflação, a forte procura interna e o aumento dos salários.