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Sebastián Piñera, um multimilionário de volta ao poder em Santiago

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Sebastián Piñera, um multimilionário de volta ao poder em Santiago

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O antigo presidente Sebastián Piñera venceu as eleições presidenciais chilenas e será o substituto da presidente socialista Michelle Bachelet, confirmando a viragem à direita de vários países Latino-Americanos, embora, no caso de países como o Brasil, a mudança não tenha sido feita por via das urnas.

Segundo a comissão eleitoral chilena, a SERVEL, e de acordo com as atualizações de resultados apresentadas na madrugada de segunda-feira (hora central europeia), Piñera obteve quase 55% dos votos.

Piñera, de 68 anos, líder da coligação de centro-direita Vamos Chile-Amplitud, foi presidente do país sul-americano entre 2010 e 2014. Prometeu trabalhar com a oposição à esquerda neste novo mandato, entre 2018 e 2022.

Esquerda, cujo candidato apoiado por grande dos partidos políticos - ainda que se tenha declarado independente - conseguiu 45,4% dos votos e falou numa "derrota dolorosa," numas das eleições mais renhidas da democracia chilena.

Uma sociedade próspera e conservadora

O Chile é uma das economias mais prósperas da América do Sul e os seus 17 milhões de habitantes gozam de um dos níveis de vida mais elevados da região.

O país, tido como particularmente conservador, foi governado, nos últimos quatro anos, por Michelle Bachelet, a socialista que deu origem a grandes mudanças de natureza social, algumas das quais, particularmente polarizadoras.

Bachellet impulsionou uma série de reformas progressistas, entre as quais a adoção de uma lei que permitiu o casamento homossexual e o aborto, até então proibido. Apesar do bom desempenho económico da economia chilena, a derrota de Guiller é vista como uma reprovação do final do mandato da presidente.

As Américas e a viragem à direita

A vitória de Piñera marca o fim de um ciclo para grande parte da esquerda nas Américas, com a eleição de Trump nos Estados Unidos, e na América Latina em particular. Aconteceu na Argentina, com Maurício Macri, no Brasil, com Michel Temer, e no Perú, com Pedro Pablo Kuczynski.

O caso do Chile destaca pelo facto de que o candidato da direita tenha recebido o apoio da extrema-direita, cujo candidato, José António Kast, conseguiu quase 8% dos votos. Kast não duvidou em reivindicar a herança do ditador Augusto Pinochet, que governou com mão de ferro o Chile entre 1973 e 1990.

Piñera promete um Chile "desenvolvido" para a OCDE

O futuro presidente do Chile estudou em Harvard e fez fortuna ao lançar os primeiros cartões de crédito no país, nos anos 80. De acordo com a revista Forbes, é um dos mil homens mais ricos do mundo - em 745 lugar, com uma fortura superior a 2,5 mil milhões de euros.

A prosperidade nos negócios foi um dos grandes argumentos do candidato conservador para voltar ao poder. Insisitiu na sua falta de experiência política do rival à esquerda, referindo que não tinha passado pela esfera política nem pelo setor empresarial.

O primeiro mandato de Sebastián Piñera ficou marcado por um crescimento económico importante no Chile, sustentado pela subida nos preços do cobre - matéria-prima da qual o país é o primeiro produtor mundial.

Mas o seu mandato ficou também marcado pelos intensos protestos nas ruas das principais cidades chilenas, sobretudo da parte dos estudantes. Muitos analistas consideraram que a resposta do Governo não esteve à altura das expectativas dos universitários.

Piñera promete agora mais diálogo, ao mesmo tempo que lança um objetivo: o de fazer com que o Chile atinga o estatuto de "país desenvolvido" na Organização para o Desenvolvimento e Cooperação na Europa (OCDE).