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Catalunha: Maioria independentista ofusca vitória do Ciutadans

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Catalunha: Maioria independentista ofusca vitória do Ciutadans

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As eleições na Catalunha chegaram ao fim com o triunfo do Ciutadans e uma maioria dos partidos independentistas, numa noite de afluência eleitoral recorde (81,94%) em que muitos puderam cantar vitória e apenas o PP saiu claramente derrotado.

A formação partidária liderada por Inés Arrimadas conseguiu 37 dos 135 assentos do parlamento, com uma percentagem dos votos de 25,36%, seguida pela lista Junts per Catalunya, do ex-presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, com 21,66% e 34 deputados, da ERC-CatSí, com 21,39% e 32 representantes, do PSC (13,87% e 17 lugares), do CatComú-Podem (7,45% e 8 deputados), da CUP (4,45% e 4 assentos) e, por fim, do PP (4,24% e 3 deputados).

Com este desfecho nas eleições, o futuro permanece incerto para a Catalunha e para os que defendem o projeto de independência, perante a vitória minoritária de um partido que defende a continuidade sob a égide espanhola e a voz maioritária dos três partidos que apoiam a secessão (Junts per Catalunya, ERC-CatSí e CUP). Estes três grupos partidários somam 70 deputados, mais dois do que 68 que eram necessários para garantir a maioria na assembleia catalã. 

Em declarações aos apoiantes na Praça de Espanha, em Barcelona, Inés Arrimadas enalteceu o trajeto do partido nascido há apenas onze anos e que esta quinta-feira foi o mais votado na Catalunha: "Num momento histórico houve mais de um milhão de catalães que confiaram em nós. Hoje podemos dizer que somos os vencedores das eleições na Catalunha. Sempre nos disseram que era impossível. Muito obrigado a todos os que tornaram isto possível e aos que trabalharam para isto", afirmou, entre gritos de 'Presidenta, Presidenta!'.

Já a partir de Bruxelas, Carles Puigdemont foi o autor de uma das frases da noite, ao enfatizar a derrota do poder de Madrid na convocação deste ato eleitoral como resposta à declaração unilateral de independência da Catalunha.

"A República Catalã venceu a monarquia do artigo 155. O Estado espanhol foi derrotado. Perderam efetivamente o apoio que estavam à procura para legalizar o golpe de estado", disse o ex-presidente da Generalitat, acrescentando já uma exigência para o futuro: "A situação é agora urgente. Há muitas pessoas que requerem compensação... quantas pessoas sofreram desde 1 de outubro? O chefe de governo precisa de pedir desculpa a estas pessoas."

Por sua vez, Marta Rovira, rosto da ERC-CatSí de Oriol Junqueras, que não pode estar na campanha devido a ter sido preso em novembro, preferiu ressalvar o desejo de independência dos catalães: "Os cidadãos são a favor da independência. Uma vez mais venceram as eleições, apesar dos ataques da polícia, dos ataques legais e dos ataques da justiça. Todas as pessoas que estiveram na prisão ou no exílio obtiveram hoje uma vitória. Os níveis de participação atingiram números históricos."

O grande derrotado da noite acabou por ser Xavier Garcia Albiol, que liderou o PP de Mariano Rajoy ao seu pior resultado de sempre na região, com apenas três deputados, mas que não deixou de vaticinar um futuro difícil para os eleitores depois da escolha desta quinta-feira nas urnas.

"Estamos obrigados a fazer uma análise do que aconteceu nestas eleições. Quero dizer que num momento complicado como este que vivemos no PP da Catalunha estou muito orgulhoso das pessoas e do trabalho que estamos a fazer para defender os catalães e os espanhóis. Se há alguém que ao longo da história deu a cara pelos catalães que se sentem espanhóis somos nós. Hoje não estava em jogo o constitucionalismo e o estatuto da Catalunha, estava em jogo quem governava a Catalunha", frisou. 

Num ato eleitoral que decorreu com tranquilidade e sem incidentes, como os que se verificaram no referendo de 1 de outubro, há também a realçar o recorde de afluência numas eleições em Espanha, com 81,94%, acima dos 79,9% das eleições gerais de 1982 em que Felipe Gonzalez levou o PSOE à vitória no país. 

Como escreveu o escritor italiano Giuseppe Tommasi di Lampedusa na obra 'O Leopardo', "é preciso que alguma coisa mude, para que tudo fique na mesma". Assim foram as eleições na Catalunha, onde as coisas mudaram e incerteza sobre o futuro permanece.

Recorde aqui a noite eleitoral catalã no liveblog da Euronews...