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Festival de Cinema Europeu de Les Arcs: onde o talento cinematográfico foge à formatação

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Festival de Cinema Europeu de Les Arcs: onde o talento cinematográfico foge à formatação

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O Festival de Cinema Europeu de Les Arcs oferece uma paisagem magnífica em volta e a possibilidade de estar no efervescente centro onde se juntam profissionais europeus do cinema que possibilitam o avançar de talento que estende uma fuga à formatação da indústria e proporciona ao público a apreciação de uma cinematografia sem espartilho criativo.

Este ano há 120 filmes europeus a passar no grande ecrã do Festival e, para esses, público não falta. Contudo, se muitos vêm a Les Arcs pelos filmes exibidos, muitos outros procuram aqui parcerias para projetos futuros no mercado da co-produção, uma parte maior deste festival.

A produtora alemã Jamila Wenske exibe o seu filme Freedom no destaque Foco no Cinema Alemão desta edição do festival.

Na nona edição do festival, Jamila está à procura de financiamento para o próximo filme: “Les Arcs é famoso por imprimir a projetos futuros uma real marca de qualidade. Ajuda-te, enquanto produtora e como realizadora a definir o teu projeto a nível europeu porque encontras aqui todos os produtores, até financiadores, representantes de estações televisivas, encontra-se aqui de tudo.”

No júri deste ano está o realizador húngaro Laszlo Nemes. O seu filme O Filho de Saul começou aqui a ganhar forma e ganhou depois vários prémios, com a cereja de um Oscar no topo:
“Tenho uma história que começa em 2011, penso, quando o meu primeiro projeto de filme, que depois viria a ser “O Filho de Saul”, foi aqui apresentado no mercado de co-produção do Festival. Selecionaram-no porque lhe reconheceram potencial, quando muito poucos profissionais acreditavam nele, e por isso pensei que tinha de voltar.”

O júri terá de escolher um vencedor entre os dez filmes escolhidos para a competição oficial. Entre eles está Nico 1988, o último da realizadora italiana Susanna Nicchiarelli: “Depois de ter sido a mais bela mulher do mundo, um ícone, modelo, depois de ter cantado com os Velvet Underground, Nico tornou-se autora e a sua música foi uma muito preciosa contribuição para a história da música. Nos anos 70 e 80 ela fez alguns óptimos discos que vieram a influenciar a música posterior: o movimento gótico, o de new wave… Ela era uma música arrojada.”

A apresentar “The Escape” fora da competição em Les Arcs, o último filme alternativo que assinou, a atriz britânica Gemma Arterton diz lamentar que o cinema esteja a ficar cada vez mais formatado na Europa: “O problema no reino Unido, em particular, é que já não podes correr riscos porque ninguém vai financiar o teu filme a menos que tenhas alguém muito famoso nele. A única via para correr riscos no Reino Unido é fazendo um filme com um orçamento muito baixo onde o valor de produção é limitado. E acho que é porque as pessoas que financiam têm medo de não lucrar se a Jennifer Lawrence não for a protagonista.”

Até 23 de Dezembro, o Festival de Cinema Europeu de Les Arcs aquece o talento cinematográfico em cenário de neve.

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