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Número de mortos nos protestos no Irão sobe para 20

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Número de mortos nos protestos no Irão sobe para 20

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A União Europeia disse esperar que o "direito de manifestação" esteja "garantido" no Irão, depois de cinco dias de protestos contra as dificuldades económicas e contra o clérigo da República Islâmica.

Point of view

O que se passa nas redes sociais é uma guerra por procuração contra os iranianos

Ali Shamkhani Secretário do Conselho Supremo para a Segurança

De acordo com um comunicado da porta-voz da Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Federica Mogherini, Bruxelas "permanece em contacto com as autoridades iranianas", depois das intevenções do presidente Hassan Rohani, transmitidas pela televisão nacional.

Os meios de comunicação Estatais iranianos, dizem que 20 pessoas terão morrido nas manifestações dos últimos dias, nove das quais na noite de segunda-feira.

Uma página digital de uma das televisões Estatais conta também que um polícia morreu, vítima de disparos, durante confrontos com manifestantes em Najafabad, no centro do país. Outros três agentes terão ficado feridos, depois de alvejados com uma "arma de caça".

Entretanto, centenas de pessoas foram detidas, muitas das quais, dizem os correspondentes no terreno, foram apenas interrogadas e posteriormente libertadas.

Estas são as mais virulentas manifestações contra o Governo iraniano e contra o clérigo desde 2009, quando milhares protestaram contra a reeleição do então presidente Mahmoud Ahmadinejad. 

O movimento foi violentamente reprimido pelo Estado iraniano, que não duvidou, na altura, em disparar contra os manifestantes.

Rohani queixa-se da "inveja de outros países"

O presidente Hassan Rohani, visto como moderado, pelo menos quando comparado com Ahmadinejad, reconheceu que o Irão deveria fornecer o que definiu como "um espaço para que a população pudesse expressar as frustrações quotidianas". Condenou, por outro lado, a violência nas ruas e a "destruição de bens públicos."

O presidente iraniano criticou ainda países terceiros, como Israel e os Estados Unidos, que disse terem "interesse em destabilizar o Irão", referindo ainda que havia países "com inveja do sucesso iraniano" a nível interno e regional.

"Uma guerra por procuração"

O secretário do Conselho Supremo para a Segurança, Ali Shamkhani, disse que os hashtags e as mensagens de apoio aos manifestantes nas redes sociais tinham a sua origem em países como os EUA e a Arábia Saudita.

"O que se passa nas redes sociais em relação à situação no país é uma guerra por procuração contra o povo iraniano", disse Ali Shamkhani.

Trump saúda "a coragem" dos iranianos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse, por outro lado, que "tinha chegado o tempo da mudança ao Irão", através da sua conta na rede social Twitter. 

Trump não tem sido tímido quando se trata de criticar o Governo iraniano, país que definiu como "terrorista" anteriormente.

Desde que Trump assumiu o poder, em janeiro do ano passado, as tensões entre Washington e Teerão têm-se concentrado na questão do acordo nuclear, assinado por Barack Obama e denunciado pelo atual presidente.

De resto, a Administração Trump tem protagonizado algumas diferenças com a União Europeia por causa do acordo nuclear de 2015, que garante um desenvolvimento de um programa nuclear com fins pacíficos. 

Para Bruxelas, o acordo com Teerão é Histórico, já que permite, aos olhos da UE, evitar uma corrida ao armamento numa região tão volátil como o Médio Oriente.