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O desencanto da "Primavera Árabe" na Tunísia

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O desencanto da "Primavera Árabe" na Tunísia

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Os protestos populares prosseguem na Tunísia. Os contestatários atacaram um quartel junto à fronteira com a Argélia o que conduziu à intervenção do exército. Desde o início da semana foram detidas mais de 600 pessoas. Para perceber o que se passa no país que desencadeou a "Primavera Árabe" há sete anos, a euronews falou com Marc Pierini, antigo embaixador da União Europeia na Tunísia.

"Esta espécie de regresso da velha guarda... Alguns ministros de Ben Ali estão de volta e os processos sobre corrupção e os julgamentos foram travados. As pessoas também estão com preocupações políticas porque as eleições municipais estão à porta e como o partido islamista Ennahdha está em melhor forma que os partidos tradicionais, as pessoas estão igualmente preocupadas com a orientação da sociedade."

Há sete anos os tunisinos encheram-se de esperança e geraram um movimento que acabou por ser sangrento noutros países, mas não na Tunísia.

"Para a Europa e para os Estados Unidos, a Tunísia é única joia da "Primavera Árabe". Foi o único país que conseguiu efetuar uma reforma constitucional, com eleições e que tem avançado com alguma alternância e, no cômputo geral, de forma pacífica nestes últimos anos. O problema é que para os mais pobres isto parece-se a um processo sem fim e as pessoas começam a ficar preocupadas porque, como antes, os ricos estão cada vez mais ricos."

Apesar dos protestos contra a subida dos preços e dos impostos, o governo já afirmou que irá manter as medidas de austeridade para reduzir o défice e satisfazer as obrigações com os credores internacionais.