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Europa tem "janela de oportunidade" no Médio Oriente

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Europa tem "janela de oportunidade" no Médio Oriente

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Será que a Europa pode assumir um papel determinante no processo de paz no Médio Oriente?

A questão coloca-se neste momento com particular relevância depois do líder da Autoridade Palestiniana ter acusado Israel e os Estados Unidos de terminarem com o acordo de Oslo, de 1994, acordo responsável pelo início do processo de paz na região.

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, já se comprometeu a dialogar com ambas as partes assim como com os parceiros internacionais e regionais de forma a retomar o processo com vista à criação de dois estados.

Depois dos Estados Unidos terem reconhecido Jerusalém como capital israelita em dezembro, será a Europa um interlocutor fiável na busca de uma solução?

Foi esta a questão colocada a Hasni Abidi, cientista político e diretor do Centro de Estudos do Mundo Árabe e Mediterrânico com sede em Genebra.

"As circunstâncias atuais oferecem uma janela de oportunidade muito interessante para os europeus assumirem um papel importante enquanto negociadores e facilitadores dado que os Estados Unidos já não estão em condições de o fazer", afirma o cientista político.

No domingo, o presidente da Autoridade Palestiniana afirmou que Israel matou os Acordos de Oslo e apontou ainda o dedo à administração Trump. Abbas comprometeu-se igualmente a rejeitar quaisquer interferências norte-americanas nas conversações de paz. 

Será que reconhecer a Palestina como estado pode fazer ultrapassar o impasse no conflito israelo-palestiniano?

"A Europa não quer queimar etapas e reconhecer para já o Estado da Palestina. Ao assumir esta iniciativa, decerto corajosa, ela poderá revelar-se contraproducente na medida em que colocará em causa a neutralidade que é necessária para ter um lugar importante nessa dinâmica", acrescenta Abidi.

A posição da União Europeia permanece clara relativamente aos colonatos israelitas em território palestiniano incluindo as expulsões recentes de Jerusalém oriental e os planos com vista à transferência forçada de comunidades beduínas da Margem Ocidental. 

Todas as atividades relacionadas com a criação de colonatos são ilegais ao abrigo da lei internacional o que inviabiliza a solução de dois estados e as perspetivas de uma paz duradoura.

De recordar que a UE permanece o maior doador internacional na Faixa de Gaza, tanto em termos de auxílio humanitário como apoio ao desenvolvimento. Desde 2005 que a UE já doou cerca de 1,5 mil milhões de euros em apoio à Faixa de Gaza.