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Nenhum país do mundo irá atingir igualdade de género até 2030

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Nenhum país do mundo irá atingir igualdade de género até 2030

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Igualdade de género até 2030

O objetivo, inserido no protocolo "Objetivos de desenvolvimento Sustentáveis", é uma das metas dos grandes líderes mundiais. Mas, de acordo com a análise do "Plano Internacional", plano que marcou o encontro anual de líderes políticos e economistas em Davos, na Suíça, mesmo os países que estão na linha da frente na luta pela igualdade de género, irão continuar, até 2030, a discriminar o sexo feminino. 

Point of view

"Mesmo na Alemanha, na Suíça ou nos EUA, as mulheres continuarão a ser discriminadas em 2030"

Anne-Birgitte Albrectsen Chefe Executiva do Plano Internacional

Em todo o mundo, de país para país, há certas normas sobre comportamentos de género. Esses comportamentos, "previsíveis", mandatórios na cultura de cada nação, acabam por discriminar jovens, maioritariamente do sexo feminino.  Por exemplo: A mulher, em certas culturas, não pode estudar. Tem, desde que nasce, a vida planeada no sentido de criar uma família, no sentido de "satisfazer" o homem, o qual, por sua vez, tem a obrigação cultural de sustentar a família.

Estas normas culturais alteram-se, de país para país, mas acabam por se traduzir numa discriminação e numa falha na igualdade de género.

Ou seja, para que haja, realmente, uma totalidade de igualdade de género, seriam necessárias mudanças no sistema jurídico, nas políticas de cada país e nas normas culturais. 

Criança Rohingya lava as roupas num campo de refugiados Reuters

Nem os países mais desenvolvidos são exemplo

A igualdade de género não se aplica, na totalidade, em grande parte do mundo, mas isso não impede que os países que estejam na linha da frente no combate do problema sejam exemplo. Na Alemanha, 32% dos homens acreditam que é justificável exercer violência f´ísica na companheira, consoante algumas circunstâncias. Esta ideia é também partilhada por mulheres. Na Suíça, 16% das mulheres acreditam nesta mesma linha de pensamento; o mesmo acontece nos Estados Unidos da América, em que 13% das mulheres também concordam na política da violência doméstica justificável, em algumas situações.

Amy-Birgitte Albrectsen, Chefe executiva do Plano Internacional elaborado em Davos, admite que apesar dos esforços que são feitos diariamente pelos países que estão na linha da frente no combate ao problema, não é aí que devemos centrar a atenção.

"Países como a Alemanha, a Suíça ou os Estados Unidos da América, estão na vanguarda para a igualdade de género, graças às leis anti-discriminação que defendem os diretos das mulheres. Mas focar a atenção nestas áreas não é suficiente. Mesmo nestes países, crianças e adolescentes continuam a estar expostas a estas normas de discriminação.", admite a responsável. 

Casal à beira mar Reuters

Violência Sexual 

A ideia que os homens devem liderar uma relação, ou até mesmo o ato sexual, prevalece mesmo nos "países exemplo". 

A percentagem de mulheres que admite ter sido alvo de violência física numa relação sexual é, na Austrália, de 57%. Na Dinamarca essa percentagem é de 55% e nos Estados Unidos da América é de 50%. Ou seja, em dois destes países, mais de metade das mulheres admite ter sido alvo de violência sexual.

Igualdade de Género na Profissão

Este é um dos temas mais debatidos no que diz respeito à igualdade de género. Acredita-se, um pouco por todo o mundo, que o sexo masculino tem aptidão para certas profissões. O estereótipo no mundo profissional na relação género-profissão ainda existe. Na Alemanha, 20% dos homens acredita que "têm mais direito" a ter emprego do que uma mulher.

Reuters

Que mudanças são precisas?

Foi estabelecido, em 2015, a meta de atingir a igualdade de género até 2030. Mas essa ideia mudou depois do último encontro de líderes, em Davos. Em cima da mesa foi posta a realidade. Quinze anos não seriam suficientes para esta grande mudança. O que falta fazer para que o mundo respeite, na totalidade, igualdade de género?

  • Adodar tolerância zero em relação a casos de assédio sexual ou violência de outro tipo;
  • Não aceitar marketing ou publicidades que discriminem géneros;
  • Criar programas de combate à desigualdade de género.