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A estreia de Trump em Davos

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A estreia de Trump em Davos

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“Quando os Estados Unidos crescem, o mundo também cresce”, Donald Trump fez um discurso muito aguardado em Davos:

“Acredito na América. Como presidente dos Estados Unidos colocarei sempre a América primeiro, tal como os líderes de outros países também devem colocar os seus países primeiro. Mas, América primeiro não significa América sozinha.”

Um discurso em linha com o que o presidente norte-americano disse no passado repetindo, sem surpresa, a mensagem que os Estados Unidos estão abertos para negócios.

As coisas aqueceram um pouco quando Trump voltou a criticar a imprensa:

“Como homem de negócios, sempre fui muito bem tratado pela imprensa. Foi só quando me tornei político que percebi o quão desagradável, má, viciosa e falsa a imprensa pode ser.”

Fenómeno raro Davos, a audiência soltou algumas vaias, mas também houve espaço para gargalhadas durante o discurso do presidente dos Estados Unidos. Gargalhadas quando disse não compreender porque é que recebe tanta atenção da imprensa e vaias quando falou de notícias falsas.

Na opinião do jornalista Keir Simmons, da NBC, “foi um Donald Trump diplomata, tentando chegar às pessoas, mantendo-se muito fiel ao discurso previamente preparado. O problema é que quando diz que está ‘a tomar conta da América e que os outros países devem tomar conta de si próprios’, se pensarmos na História, vemos que quando isso aconteceu, as coisas acabaram muito mal para o mundo. Dito isto, há muita gente em Davos, multimilionários, proprietários de grandes empresas, que estão a ganhar muito dinheiro por causa dos cortes nos impostos de Donald Trump. Portanto, a receção foi calorosa, pelo menos de parte da sala”.

Trump reivindicou crédito pelo crescimento económico ocorrido durante o primeiro ano do seu mandato. Mas, enquanto discursava, os números oficiais foram divulgados, indicando que a economia americana cresceu menos do que o esperado, apenas 2,6% no último trimestre, quando a expectativa era de 3%.

Para Kenneth Rogoff, antigo economista-chefe do FMI “com Trump estamos muito mais preocupados com o comportamento aleatório, que possa simplesmente mudar de ideias de um dia para o outro. Ele faz coisas que provocam problemas. O mundo já está um pouco habituado a isso, portanto quando ele diz algo mais louco, as pessoas dizem ‘bom, é o Donald Trump, esperem mais um dia que a coisa passa’. Mas à grande questão – se temos um par de mãos seguras ao leme da economia mundial – acho que a resposta só pode ser ‘não, não temos’”.

Os líderes políticos europeus não estavam na sala durante o discurso. Angela Merkel, Emmanuel Macron e Paolo Gentiloni discursaram perante o Fórum Económico Mundial na quarta-feira, lançando alertas contra o protecionismo.

Perguntámos ao Comissário Europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros, Pierre Moscovici como viu a estreia de Trump em Davos e o que pensa do mote ‘América primeiro’:

“Congratulo-me com o facto de Trump estar aqui em Davos. Mas, precisamos de defender a nossa via e a via Europeia é diferente da de Trump. Nós defendemos o multilateralismo. Nós recusamos o protecionismo. Nós estamos a lutar contra as alterações climáticas e devemos estar orgulhosos disso. É por isso que temos de assumir a ofensiva na promoção deste via europeia. Ele diz ‘América primeiro’. Eu não digo ‘Europa primeiro’, mas adoro a via europeia. Digo que devemos responder ao ‘América primeiro’ através da via europeia.”