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Dirigente curdo sírio acusa Turquia de colaborar com o Daesh

Salih Muslim, um dos dirigentes do Partido da União Democrática - organização política curda na Síria - acusa a Turquia de intervir na região síria de Afrin para defender os laços que tem com os extremistas do Daesh, numa entrevista ao correspondente da euronews em Bruxelas, Nima Ghadakpour.

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Dirigente curdo sírio acusa Turquia de colaborar com o Daesh

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REUTERS/Khalil Ashawi
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Um dos líderes do Partido da União Democrática (PYD) - organização política curda na Síria - acusa a Turquia de intervir na região síria de Afrin para defender os laços que tem com os extremistas do Daesh.

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"Em Afrin, os turcos estão a aproveitar os membros do Daesh que escaparam de Raqqa e de Mosul"

Salih Muslim Dirigente, PYD

Em entrevista à euronews, em Bruxelas, Salih Muslim, disse que "é uma espécie de vingança do regime turco porque ajudámos a derrotar o Daesh em muitas regiões".

"Essa vingança está a ser levada a cabo pela Turquia, mas existe por detrás um certo consenso entre o regime sírio, o Irão e a Turquia", acrescentou.

O governo turco afirma que a operação "ramo de oliveira", em Afrin (norte da Síria) visa travar a colaboração transfronteiriça entre forças curdas terroristas.

Salih Muslim contesta essa versão e insiste que "o regime da Turquia não é diferente do Daesh porque o Daesh cresceu devido à ajuda turca, que os treinou. Em Afrin, os turcos estão a aproveitar os membros do Daesh que escaparam de Raqqa e de Mosul".

Os EUA prometem continuar a trabalhar com as forças curdas sírias no combate ao Daesh e a proteger a cidade de Manbij, que a Turquia poderá vir a atacar durante a operação.

Salih Muslim acredita nisso, dizendo que "a aliança internacional contra o Daesh ainda está operacional. Do ponto de vista ético, deviam ficar do nosso lado. Mas não sabemos o que vai acontecer, o que farão se os turcos continuarem a avançar. Até agora a posição dos EUA tem sido correta: têm-nos dito que vão continuar conosco, e a defender a região, para que os ataques turcos não cheguem a Manbij".

Para o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, o partido curdo turco, PKK, e este seu "irmão" sírio, PYD, são formações terroristas que usam os seus braços armados para mudar a situação no terreno e criar novas zonas de soberania.

Erdogan acusa, mesmo, o partido curdo na Síria de fazer uma limpeza étnica com o fim de mudar a composição demográfica naquele país.

A operação turca começou a 20 de janeiro e conta com a ajuda de rebeldes sírios pró-Turquia.