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Incêndio de Kemerovo: a tragédia na primeira pessoa

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Incêndio de Kemerovo: a tragédia na primeira pessoa

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REUTERS/Maksim Lisov
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O incêndio deste domingo, em Kemerovo, é já um dos mais mortíferos na Rússia desde o fim da União Soviética. Enquanto prosseguem as investigações, multiplicam-se os relatos de testemunhas e familiares de vítimas.

Uma residente local explica que "tinha decidido [levar os filhas] para jogar, como habitualmente, nas máquinas do quarto andar. Elas começaram a subir e depararam-se com chamas e fumo. Todas as pessoas começaram a correr, mas não as deixavam passar. Quando lhes perguntei quem as impedia de passar, disseram-me que foram os guardas de segurança, os homens de uniforme. Disseram-lhes para usarem outras escadas, do outro lado, e foi isso que elas fizeram".

Outros não conseguiram escapar. Eduard Kovalevsky perdeu os dois filhos, que se encontravam num cinema do centro comercial com uma amiga da família.

Enquanto mostra fotografias no telemóvel, sem conter as lágrimas, explica que a filha Svetlana, tinha cinco anos, e o filho, Yegor, deveria cumprir 10 no próximo dia 3 de abril e acrescenta que a amiga ainda lhe chegou a ligar, do interior do cinema, e ele podia "ouvir [por trás] crianças a chorarem".

Outra testemunha, Danila Plyut, viveu os momentos de pânico na primeira pessoa. Explica que "foi o caos, com as pessoas a fugirem. Estava a ficar escuro e as luzes apagaram-se, as escadas rolantes e os elevadores não funcionavam. As pessoas corriam e caíam e o alarme de incêndio não estava a funcionar".

O centro comercial em questão era um destino popular para famílias da região e estava cheio, no primeiro fim-de-semana de férias escolares.