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Há mesmo uma posição concertada na União Europeia face à Rússia?

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Há mesmo uma posição concertada na União Europeia face à Rússia?

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Reuters
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O caso do envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal, e a filha, em solo britânico, desencadeou uma crise diplomática entre a Rússia e o Ocidente e a maior expulsão concertada de diplomatas russos em quase 50 anos. Mas será que há uma verdadeira posição concertada na União Europeia?

Point of view

"Estou profundamente desapontado com cerca de metade dos Estados-membros da União Europeia"

Vladimir Chizhov Embaixador da Rússia para a União Europeia

"A política que o Kremlin parece querer seguir é a de dividir o Ocidente, minar o Ocidente em termos da sua credibilidade e dos seus valores. Não penso que o objetivo seja destruir o Ocidente, mas minar a sua unidade para ter como contrapartida um impulso no poder da Rússia a nivel global", disse, à euronews, Rosa Balfour, analista política no centro de estudos The German Marshall Fund of the US, em Bruxelas.

A cimeira da União Europeia, de 23 de março, aprovou uma declaração de condenação, mas cerca de uma dezena de Estados-membros não expulsaram diplomatas, incluindo Portugal.

"Há falta de solidariedade, provavelmente devido à falta de provas claras, mas também por causa dos diferentes níveis de dependência de cada um dos Estados-membros em relação à Rússia. Além disso, nem todos os países concordam com a estratégia das instituições europeias, em Bruxelas, de se afastarem de Moscovo, face às repercussões que isso poderá ter", disse, à euronews, Constantinos Filis, analista político no Instituto para as Relações Internacionais, em Atenas.

Os chamados "pesos pesados" estão ao lado do Reino Unido e até alguns países de Leste, tradicionalmente mais próximos da Rússia, decidiram expulsar diplomatas.

"O facto de Alemanha, Itália e França - que são grandes países europeus com estreitos laços comerciais e dependência energética da Rússia - terem decidido expulsar diplomatas russos é um sinal claro da direção em que vai a União Europeia. O facto de alguns países menos poderosos quererem manter a porta aberta ao diálogo com a Rússia não é assim muito prejudicial", afirmou Rosa Balfour.

A correspondente da euronews em Bruxelas, Efi Koutsokosta, entrevistou, sobre este tema, Vladimir Chizhov, embaixador da Rússia para a União Europeia.

euronews: Já está a fazer as malas para regressar a Moscovo depois de tudo o que se passou?

Vladimir Chizhov: Deveria?

euronews: Estou a perguntar-lhe...

Vladimir Chizhov: Não penso que haja uma razão prática para o fazer, já estou a trabalhar há vários anos em Bruxelas, para promover a cooperação Rússia-União Europeia em vários campos. Até que seja convocado pelo meu Presidente, pretendo continuar por aqui.

euronews: Quais são as medidas que devemos esperar de Moscovo depois de todas estas expulsões?

Vladimir Chizhov: Devemos esperar uma resposta adequada em termos das relações com cada país, das relações bilaterais, já que, como sabemos, as expulsões foram decididas a nível nacional. Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, realçou isso no final da cimeira europeia da passada sexta-feira".

euronews: Mas como se sente em relação a alguns Estados-membros que são vistos como aliados mais próximos da Rússia, tais como a Hungria ou a Itália, também terem decidido expulsar diplomatas russos?

Vladimir Chizhov: Estou profundamente desapontado com o facto de vários países - cerca de metade dos Estados-membros da União Europeia- terem optado por aquilo que considero ser uma falsa prova de solidariedade, seguindo o exemplo do Reino Unido, que tomou uma medida baseada não em qualquer tipo de prova, mas em suposições e suspeitas.

euronews: Muitos Estados-membros, e também os Estados Unidos, revelam uma impressionante ação coordenada contra a Rússia. Pensa que está criado um ambiente que pode levar, novamente, a um conflito do tipo Guerra Fria entre o Ocidente e a Rússia?

Vladimir Chizhov: Não vejo nenhuma razão objetiva para um conflito entre a Rússia e o Ocidente tal como descreve. O Ocidente está efetivamente dividido. Quando a primeira-ministra britânica, Theresa May, se gabou de que o nível de unidade e solidariedade prova que os esforços da Rússia para dividir a União Europeia foram em vão... Na verdade, ela fez o máximo para dividir a União Europeia com esta ação, porque metade dos Estados-membros se juntou ao Reino Unido e a outra metade não.