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Laboratório incapaz de ligar veneno do "caso Skripal" à Rússia

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Laboratório incapaz de ligar veneno do "caso Skripal" à Rússia

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REUTERS/Hannah McKay
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Não foram encontradas provas de que o veneno utilizado no caso Skripal no Reino unido tenha tido origem na Rússia.

A informação partiu do laboratório britânico que identificou o gás neurotóxico alegadamente utilizado no envenenamento há cerca de um mês do ex-espião russo Sergei Skripal e da filha deste, Yulia.

"Conseguimos identificar o gás como Novichok e como um agente neurotóxico de nível militar. Não fomos capazes de identificar com precisão a origem, mas dispobilizámos as informações sientíficas ao governo, que depois recorreu a outras fontes para chegar às conclusões que todos sabemos", afirmou à SKy News o diretor executivo do Laboratório de Ciência e Tecnologia de Defesa, em Porton Down, Inglaterra.

Gary Aitkenhea confirmou contudo que a substância requereu "métodos extremamente sofisticados para ser gerada, algo somente possível num agente estatal."

O caso ocorreu em Salisbury, no Reino Unido, e terá sido a primeira utilização conhecida de um gás neurotóxico de nível militar em território europeu desde a II Guerra Mundial.

A implicação do Kremlin espoletou uma crise diplomática, sem precedentes no novo milénio, devido às suspeitas lançadas por Londres nesta alegada tentativa de homicídio em muito similar ao assassínio em 2006 do também antigo espião russo Alexander Litvinenko.

Sergei Skripal em estado grave, Yulia a melhorar

A filha de Sergei Skripal está a melhorar. Após três meses internados, o ex-espião continua em estado grave, mas estável, após a exposição ao gás neurotóxico de produção militar Novichock, mas Yulia Skripal denota melhorias, informou o hospital na passada quinta-feira.

Em solidariedade com o Reino Unido, vários países, incluindo Alemanha, França e Estados Unidos, expulsaram cerca de 130 diplomatas russos, com Moscovo a alegar inocência e a responder na mesma moeda.

Tal como Luxemburgo, Portugal também se colocou ao lado do Reino Unido, da União Europeia e da NATO, mas ficou-se igualmente apenas pela chamada a Lisboa do embaixador na Rússia.

O ministro português dos Negócios Estrangeiros desdobrou-se em entrevistas televisias explicando que a estratégia portuguesa era de prudência perante a falta de provas contra a Rússia.

Augusto Santos Silva disse que iria pedir esclarecimentos ao chefe da diplomacia portuguesa em Moscovo, numa medida que suspendia em simultâneo a representação diplomática nacional ao mais alto nível na Rússia.

Esta quarta-feira, o ministro explica no Parlamento, em Lisboa, a posição portuguesa no caso Skripal, no qual o governo de António Costa se disponibiliza para ser um eventual intermediário diplomático entre Bruxelas, Londres e Moscovo.