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Washington procura força regional para o norte da Síria

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Washington procura força regional para o norte da Síria

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Os Estados Unidos poderão estar à procura de fundos para a criação de uma força árabe para a Síria, num plano relacionado com a partida das tropas norte-americanas do país árabe.

A decisão acontece, de acordo com o norte-americano Wall Street Journal, depois da derrota dos jiadistas do autoproclamado Estado Islâmico ou Daesh (sigla em língua árabe) de grande parte do território.

A pressa do presidente dos Estados Unidos Donald Trump poderia deixar, no entanto, os aliados na região sem uma força coordenada para combater um eventual regresso do Daesh a certas zonas do país.

O objetivo seria assim o que os Estados Unidos entendem como estabilização do norte do território. A missão da possível força militar de coordenação regional seria a de cooperar com os militantes árabes e curdos, até agora apoiados por Washington parta impedir novos avanços dos jiadistas ainda no terreno.

A ideia não passou despercebida por Erik Prince, conta o WSJ, o fundador da Blackwater, presente nos Emirados Árabes Unidos e Somália, onde formou forças de segurança privadas.

John Bolton, antigo embaixador dos EUA para as Nações Unidas terá recentemente contactado o chefe dos serviços secretos egípcios, para averiguar se o Governo do Cairo estaria disposto a contribuir.

Mas a vontade do Egito em participar numa força regional não é confirmada.

O país norte-africano conta com um dos maiores exércitos do Médio Oriente, mas centra as preocupações num ramo do Daesh, presente na Península do Sinai, assim como na segurança da fronteira com a Líbia, viveiro de milícias.

Outro país que poderia contribuir para a força regional é a Arábia Saudita.

Riade já acordou mais de 3,5 mil milhões de euros para reconstruir algumas áreas reconquistadas aos jiadistas do Daesh na Síria, totalmente destruídas por anos de combates.

O ministro saudita dos Negócios Estrangeiros, Adel al-Jubeir, disse que o reino está disposto a enviar tropas para a Síria.

Numa conferência de imprensa conjunta com António Guterres, secretário geral das Nações Unidas, al-Jubeir confirmou a existência de encontros para abordar o tema.

Foi no início de abril que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falou na necessidade de ordenar o regresso de cerca de dois mil soldados estacionados na Síria, apesar das críticas de alguns analistas. Teme-se que abandonar a Síria no que é visto como uma fase de vazio de poder possa agravar o caos na região.

Por outro lado, um abandono da parte dos Estados Unidos poderia contribuir para um reforço da presença dos aliados do presidente Bashar al-Assad, a Rússia e o Irão.

De acordo com a publicação, os Governos da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, rivais regionais do Irão e de Bashar al-Assad, também terão sido contactados pelos Estados Unidos.

Resta ainda saber qual seria o grau de envolvimento das tropas dos Estados Unidos num possível acordo. já que, no caso das milícias curdas das Unidades de Proteção Popular (YPG, sigla em língua curda), os EUA prestam assistência com proteção via aérea.

Estima-se que existam atualmente entre cinco mil a 12 mil combatentes jiadistas no terreno, a maioria dos quais no leste da Síria. Os Estados Unidos dizem que os militantes tentam reorganizar-se e vender petróleo para sobreviverem como organização