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Síria: doações em queda e novo apelo à solução política

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Síria: doações em queda e novo apelo à solução política

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REUTERS/Francois Walschaerts
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Com a guerra na Síria numa das fases mais quentes, a União Europeia (UE) e a Organização das Nações Unidas (ONU) consideram que é bom sinal terem tido cerca de meia centena de países, incluindo a Rússia e a Turquia, a falar sobre uma solução política.

Point of view

"É realista pensar que alguma instituição internacional daria dinheiro a Assad?"

Federica Mogherini Chefe da diplomacia da União Europeia

Na segunda conferência de doadores de Bruxelas, quarta-feira, Federica Mogherini advertiu que a retoma de território pelo presidente sírio, Bashar Al-Assad, não será suficiente para uma paz duradoura.

"Uma vitória militar poderá acontecer e é verdade que vemos alguns atores no terreno a perseguir esse tipo de estratégia. Mas o que aconteceria dois meses ou, mesmo, um ano depois? O Daesh poderia voltar a atacar, o país não ser reconstruído. Há também questões pragmáticas: a quem é que se daria dinheiro? É realista pensar que alguma instituição internacional daria dinheiro a Assad?", questionou a chefe de diplomacia da UE.

Nesta conferência, a comunidade internacional prometeu doar 3,6 mil milhões de euros para 2018 e 2,7 milhões de euros para os anos seguintes, abaixo do que foi prometido no ano passado.

"Tínhamos planeado alimentar cerca de quatro milhões de pessoas na Síria, mas só temos fundos suficientes para alimentar três milhões. Na Síria há 6,5 milhões de pessoas a sofrer de severa insegurança alimentar, isto é, elas não sabem quando vão ter a próxima refeição. Se não recebermos os fundos de que precisamos, vai haver mais instabilidade que pode criar caos numa região já de si caótica", explicou, à euronews, David Beasley, diretor-executivo do Programa Alimentar Mundial da ONU.

Segundo a ONU, apesar das contribuições anunciadas pelos doadores no ano passado, apenas 1,8 mil milhões de euros dos 7,4 mil milhões de euros "necessários" para a região foram desbloqueados e a situação nos primeiros meses de 2018 piorou, com mais 700 mil pessoas deslocadas e a enfrentarem necessidades extremas de ajuda.

A correspondente da euronews em Bruxelas, Isabel Marques da Silva, acrescentou que "a União Europeia tem desempenhado um papel importante na mobilização de ajuda humanitária para a Síria. Mas a sua influência política ainda não se traduziu em trazer as partes interessadas de volta às negociações de paz e o povo sírio continua pagar o pesado preço da guerra".