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Juntos contra solução militar externa na Síria

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Juntos contra solução militar externa na Síria

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REUTERS/Grigory Dukor
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Rússia, Turquia e Irão concordaram este sábado na continuidade em Genebra do processo de paz para a Síria, com Moscovo a acusar oposição apoiada pelos Estados Unidos de estar a prejudicar as negociações.

Conhecido como grupo de Astana, pelo local dos primeiros encontros onde se assumiram como responsáveis por uma solução política para o conflito sírio, o trio revelou-se também determinado em ajudar Bashar al-Assad a limpar o território dos grupos que consideram terroristas.

Nestes grupos perseguidos incluem-se as milícias curdas YPG, que ajudaram a combater o "daesh" no norte da Síria, mas que Ancara considera terroristas pela proximidade ao PKK.

Os três países têm sido intervenientes militares na Síria, sendo Rússia e Irão na qualidade de aliados do regime de Bashar al-Assad, e a Turquia no alegado combate a grupos terroristas no norte da Síria.

Este sábado, os respetivos ministros dos Negócios Estrangeiros reuniram-se para atualizar alguns temas e preparar a nona ronda de conversações em Astana sobre, prevista para meados de maio e focada em política e nos problemas humanitários na Síria.

O trio defende uma solução política no conflito, por oposição a uma ação militar externa já por mais do que uma vez proposta e reprovada no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Após a ronda de conversações deste sábado em Moscovo, antecedida por sessões bilaterais, Rússia, Irão e Turquia defenderam a coordenação com as Nações Unidas no processo negocial para ficar garantida a legitimidade de uma eventual solução política.

O ministro turco dos Negócios Estrangeiros revelou estar de acordo com o homólogo iraniano de que "qualquer solução militar" na Síria "será ilegal e insustentável". "Este é o único formato que tem dado passos concretos rumo à paz", sublinhou Mevlut Cavusoglu.

O chefe da diplomacia russa, por seu lado, denunciou os alegados esforços externos para obstruir a melhoria do diálogo entre sírios.

"Acontece que enquanto nós tentammos progredir e ser construtivos, outros tentam destruir o resultado destes esforços sem se preocuparem com o que fazemos nem com a violação de leis internacionais. Refiro-me às ações de Estados Unidos, Reino Eunido e França contra a Síria", disse Sergei Lavrov, sem rodeios.

O porta-voz do Kremlin garantiu ter havido acordo trilateral de que "as tentativas de dividir a Síria em territórios étnicos e religiosos são totalmente inaceitáveis."

"Vamos opor-nos a quaisquer tentativas de pôr em causa os nossos esforços conjuntos e sublinhamos: o processo de Astana segue estável", acrescentou Lavrov, denunciando "os desenvolvimentos das últimas semanas" como provas de que "nem toda a gente quer que a paz seja reposta na Síria".

"Sempre que a esperança ganha força, um ataque é realizado", precisou.

O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, por fim, lembrou que o Irão já antes havia "condenado o uso de armas químicas, independentemente das vítimas e dos culpados."

Javad Zafari, o porta-voz de Teerão em Moscovo, defendeu que "o assumir a justiça nas próprias mãos, mas com uma certa agenda política, não faz mais do que complicar" o processo de paz para a Síria.