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Editors falam de Avicii: A pressão sobre os músicos "existe e é bem real"

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Editors falam de Avicii: A pressão sobre os músicos "existe e é bem real"

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"Violence" é o tema título do novo álbum dos Editors. A caminho dos quinze anos, a banda britânica anda na estrada a promover o sexto disco de originais, uma obra que reflete o mundo atual, e não apenas no título.

O Brexit e a guerra na Síria são alguns dos temas políticos presentes nas entrelinhas do novo trabalho do grupo de Birmingham.

"Não vejo os músicos como políticos, mas temos os nossos pontos de vista. Vemos que hoje, no mundo, a direita e o populismo progridem, na Áustria, e na América. Assistimos à morte da liberdade de imprensa na Hungria. Creio que as nossas músicas refletem o momento que vivemos", disse o guitarrista Justin Lockey, em entrevista à euronews.

"Não estamos ao nível da Hungria em termos de supressão de liberdades. Não creio que alguma vez estaremos. A tradição do nosso país é diferente, mas, dito isto, o nosso país bombardeou a Síria sem qualquer autorização do Parlamento e está a conduzir-nos na pior decisão em muitos anos", acrescentou o guitarrista.

Justin Lockey é o guitarrista por trás do "riff" que deu corpo a "Halleluja (So Low)", um tema escrito pelo vocalista Tom Smith após visitar um campo de refugiados sírios na Grécia.

A experiência marcou o grupo e o novo álbum.

"O Tom ficou marcado pela viagem e escreveu algumas letras inspiradas nesses sentimentos. Algo mágico aconteceu quando o Justin criou este enorme 'riff' de guitarra. A música não tem ligação imediata com os campos de refugiados, mas, conseguimos captar aquele momento no estúdio e é assim que as grandes canções nascem", disse Ed Lay, baterista e fundador da banda.

"Darkness at the Door" e a nova sonoridade eletrónica

Ao vivo, o grupo convence. O público, muito diverso em termos de faixas etárias, tem reagido bem aos novos temas, mesmo às novas sonoridades mais eletrónicas.

"As músicas novas estão a revelar-se muito boas. Parece-nos que as pessoas estão a reagir bem. Convidar um produtor como o Blank Mass para trabalhar connosco é uma novidade para nós. É um produtor de música muito eletrónica, algo que andávamos a ouvir e que pensámos que podia resultar muito bem com o nosso estilo de música. Felizmente, ele estava disponível e resultou muito bem", contou Ed Lay.

Cruzámo-nos com os Editors alguns dias após a morte de Avicii, o jovem DJ e produtor sueco. A notícia levantou a discussão sobre a pressão colocada sobre os artistas, seja da parte de agentes, editoras, promotores, da imprensa ou dos fãs.

"A pressão existe. É bem real. A tentação de aliviar a pressão com o álcool ou com drogas e de fazer coisas que não são necessariamente boas para a saúde está sempre presente", sublinhou Ed Lay.

"Não é surpreendente ouvir falar da morte de músicos ainda jovens. A pressão e a saúde mental dos músicos são questões de que nunca se fala. São sempre varridas para debaixo do tapete. Não é glamoroso, não é sexy falar-se disso", acrescentou Justin Lockey.

Após esta primeira série de concertos na Europa, os Editors partiram para os Estados Unidos. Regressam para os festivais de verão e depois iniciam uma digressão pelo Reino Unido e pela Irlanda, em outubro. Fora da rota dos Editors, este ano, está por enquanto Portugal.

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