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Eurovisão 2018: Um balanço mais que positivo

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Eurovisão 2018: Um balanço mais que positivo

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A poeira começa a assentar em Lisboa, uma semana depois de ter acolhido o maior evento musical da Europa, que continua a apaixonar milhões de fãs: O Festival da Eurovisão. Apesar das incertezas ligadas à situação no terreno e de direitos humanos, Israel começa a preparar o festival do próximo ano.

Afinal, as previsões iniciais estavam certas: Ao fim de uma votação renhida e graças ao voto do público, foi a canção "Toy", de Netta Barzilai, que se impôs. Um tema amado e odiado que promete fazer sucesso nas pistas de dança este verão e trouxe de volta ao festival o "fogo de artifício" que Salvador Sobral tanto criticou no discurso de vitória do ano passado.

Netta interpreta "Toy" na grande final

Um desafio inédito

Kiev, 13 de maio de 2016: A vitória de Salvador Sobral no Festival da Eurovisão causou uma onda de euforia que se espalhou por todo Portugal, que tantas vezes sonhou arrebatar o troféu sem sucesso. Tinha-se quebrado o "enguiço". Todos eufóricos? Sim, mas uma das pessoas no sofá português do Green Room tinha deitado as mãos à cabeça. E agora? Pensou Gonçalo Madaíl, subdiretor da RTP1 a quem coube a tarefa de começar do zero a organização de um festival da Eurovisão em Portugal, enquanto diretor criativo.

Depois da Expo 98, do Euro 2004 e duas edições da Web Summit, Portugal começa a ganhar experiência no acolhimento de grandes eventos. Mesmo assim, o desafio era grande e a fasquia alta: "Desafio é a palavra certa para definir todo este processo. De empresa pública de comunicação social com uma rotina diária, fomos obrigados a transformar-nos, a desdobrar-nos numa equipa talentosa e competente, capaz de organizar um evento destes num prazo de apenas 11 meses. Foi um processo extremamente veloz e com muita pouca margem de erro", contou Madaíl à euronews.

Se "Celebrate Diversity" (celebrar a diversidade) é o lema da Eurovisão, Portugal não o poderia aproveitar melhor: "A diversidade cultural, para nós, é algo que tem 500 anos e isso graças aos oceanos. Quisemos, por isso, fazer dos oceanos o mote visual e sonoro deste festival", acrescenta.

A organização logística e a conceção dos espetáculos por parte da RTP foram elogiadas a vários níveis, desde a própria Comissão de Trabalhadores da empresa pública de rádio e televisão ao supervisor executivo do festival, Jon Ola Sand. Portugal conseguiu fazer muito com pouco, ao fazer o primeiro festival desde 2010 a não incluir um LED Wall no palco e o mais barato desde 2008, com um orçamento deapenas 20 milhões de euros, o mínimo exigido pela EBU.

O incidente

Se a organização da RTP foi amplamente elogiada, um pequeno incidente durante a final não deixou de ser a tal nódoa capaz de cair sempre no melhor pano.

Surie, representante do Reino Unido, foi a nona a subir ao palco na grande final. A meio da atuação, acontece o inesperado: Um elemento do público consegue subir ao palco, rouba-lhe o microfone e diz algo de imperceptível. Rapidamente o invasor é expulso do palco e a cantora britânica consegue outro micro, mas o mal estava feito. Apesar de lhe ter sido dada a oportunidade, a cantora e a BBC recusaram uma oferta para uma segunda atuação.

O que se especulava que fosse um protesto contra o Brexit era, afinal, o ato isolado de um russo contra as especulações de envolvimento do seu país no envenenamento de um espião em solo britânico. As palavras que proferiu eram contra a "imprensa nazi do Reino Unido", segundo explicou à euronews o jornalista britânico Spencer Barnett, a trabalhar para o Channel 5 e para o jornal Jewish Chronicle.

O mesmo jornalista, em discordância com a maioria das vozes que comentam o festival, aponta o dedo à RTP por um aparente descuido na segurança: "Já estive em vários festivais da Eurovisão e a segurança é sempre omnipresente. Os portugueses deveriam ter igualado esta marca, sabiam disso há um ano e não havia desculpas para isto acontecer num espetáculo ao vivo, visto em direto por milhões de pessoas. Não foi bom para a RTP ", disse.

"O Jardim" não deu flores...

Mas apaixonou os portugueses. A canção que representou Portugal no Eurofestival não teve a sorte que muitos desejariam e acabou por ficar com o último posto na final, com 39 pontos, muito longe dos 758 conseguidos há um ano por Salvador Sobral. No entanto, continuou a conquistar o coração de um público reconciliado com a Eurovisão desde a prestação de Sobral no ano passado.

"Tenho sentido um grande carinho por parte das pessoas, mesmo daquelas que não têm esta canção como favorita", conta Isaura, que a escreveu e dedicou à recém-falecida avó. Cláudia Pascoal, que dá a voz principal à música, entrou no imaginário português com o seu cabelo cor-de-rosa. "Arrepio-me sempre que ouço as pessoas cantar esta canção em coro".

Cláudoa Pascoal e Isaura interpretam "O Jardim" na grande final

O momento da noite

Houve quem dissesse que Salvador Sobral venceu o festival um segundo ano consecutivo. Naquele que foi, ao mesmo tempo, um regresso aos palcos depois do transplante cardíaco a que foi sujeito e uma despedida da Eurovisão - o festival que lhe deu a fama, mas do qual se sente longe musicalmente (algo que nunca escondeu), o português deu a conhecer o mais recente single Mano a Mano, que será incluído no segundo álbum de originais a ser lançado em outubro. Salvador concretizou também aquele que disse ser "o maior sonho que a Eurovisão lhe proporcionou", o de dividir o palco com o brasileiro Caetano Veloso.

O "Mano a Mano" entre Salvador Sobral e Caetano Veloso.

Antes de subir ao palco, Caetano Veloso falou em exclusivo à euronews e confessou que ficou fã de Sobral desde que ouviu pela primeira vez "Amar pelos Dois" (que ambos interpretaram em dueto):

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