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"Lutamos por dar voz a todos os Estados-membros da UE", diz PM República Checa

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"Lutamos por dar voz a todos os Estados-membros da UE", diz PM República Checa

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O segundo homem mais rico da República Checa chegou ao poder há 6 anos, com a promessa de erradicar a corrupção e retirar a antiga elite do poder.

À frente de um governo de minoria, em linha com as ideologias do grupo de Visegrado (Hungria, Polónia, Republica Checa e Eslováquia), Andrej Babis é a nova personagem da política europeia mais controversa.

Gábor Tanács, euronews:

O primeiro-ministro da República Checa, Andrej Babiš, é meu convidado, aqui, na Conferência Globsec em Bratislava. Primeiro-ministro, bem-vindo a Global Conversation.

Os media internacionais rotulam-no de Donald Trump checo. Gosta da comparação ou incomoda-o?

PM da República Checa, Andrej Babiš:

Não leia notícias falsas. Há muitas mentiras publicadas em alguns jornais da República Checa. Não gosto. Temos apenas uma coisa em comum: casamo-nos com mulheres checas. Por falar no segundo checo mais rico, julgo que todos estes números não são de todo apropriados. Mas, acredite em mim, com o início da minha carreira na política, o estado Checo vai muito bem, mas a minha empresa está a afundar-se.

Gábor Tanács, euronews:

Já há algum tempo que tenta formar governo. Acha que isso vai acontecer em breve e será capaz de governar ou haverá novas eleições?

PM da República Checa, Andrej Babiš:

Não. Estamos a governar. Estamos a trabalhar de forma árdua. O governo tem tomado posições... propostas de lei individuais... e decisões... tentamos reestruturar o estado e, claro, esta é a melhor forma de governar porque somos um governo minoritário. Todos os ministros são nomeados por mim. Trabalho 18 horas por dia. Trabalho aos domingos. Trabalho muito mais do que para a minha empresa. O problema, claro, é que o estado não é a empresa.

Gábor Tanács, euronews:

Tem criticado muito a União Europeia até ao momento. Qual é o seu principal problema? Se tivesse de identificar um principal problema, qual seria?

PM da República Checa, Andrej Babiš:

Não critico. Sou muito pró-europeu. Portanto, primeiro temos de alcançar quatro liberdades. É a base. Livre circulação de pessoas, de bens, de serviços e capital. E, claro, lutamos por dar voz a todos os estados-membros, se compararmos com a Comissão.

Gábor Tanács, euronews:

Tem criticado a União Europeia por ser lenta, ineficiente. Não acha que essa ineficiência se deve, em parte, ao facto de terem de concordar em tudo com todos os estados-membros?!

PM da República Checa, Andrej Babiš:

Sim, talvez. Esta é a realidade, mas existem alguns problemas em que devíamos agir de forma mais rápida. O caso da imigração, claro. Foi um erro da Comissão propor o sistema de quotas em 2014. Estamos em 2018 e não resolvemos o problema da imigração ilegal.

Gábor Tanács, euronews:

Vamos falar de quotas. Rejeita qualquer tipo de quotas. Consegue conceder em alguma? Porque alguns Estados-membros ocidentais dizem que podem avançar com uma votação maioritária, se não houver compromisso.

PM da República Checa, Andrej Babiš:

Já o fizeram uma vez e, se o fizerem novamente, isso terá um impacto negativo em todos os países que são contra. Aqui, todos os países do grupo de Visegrado, recusamos as quotas.

Gábor Tanács, euronews:

Seria melhor haver um compromisso ou uma maioria?

PM da República Checa, Andrej Babiš:

Estamos preparados para ser solidários. Ajudamos monetariamente e podemos enviar soldados, sem problema. Mas, temos de resolver o problema da imigração fora do continente europeu. A guerra é lá. Talvez tenhamos de ser mais ativos e talvez já não estejamos a tempo de ser ativos no caso da Síria.

Gábor Tanács, euronews:

O que pensa do grupo de Visegrado? Consegue ser decisivo? Consegue formar uma aliança eficiente? Consegue ser uma influência na União Europeia?

PM da República Checa, Andrej Babiš:

Sim, somos muito eficientes. Representamos 65 milhões de cidadãos europeus. Temos uma visão comum sobre a imigração e sobre o próximo orçamento e coesão, agricultura e outras questões.

Gábor Tanács, euronews:

O novo orçamento... o orçamento da União Europeia.... em que áreas poderiam haver cortes? Por causa do Brexit vai ser necessário fazer cortes, mas vocês recusam fazer cortes na Agricultura.

PM da República Checa, Andrej Babiš:

Não recusamos cortes. Dissemos que o que é importante para nós é coesão e, claro, a agricultura é importante para a França entre outros países...mesmo para a Alemanha Oriental. Estamos prontos para discutir sobre o aumento do orçamento, mas insistimos em ter mais influência nos programas... no dinheiro que vamos receber... porque a diferença entre o que vamos receber e o que vamos pagar para o próximo orçamento não será tão grande.

Gábor Tanács, euronews:

Falemos de corrupção. Prometeu reprimir a corrupção na República Checa. Pode mencionar algumas das medidas que poderia tomar?

PM da República Checa, Andrej Babiš:

Claro que posso mencionar. Não houve qualquer escândalo de corrupção desde que cheguei à política. No Governo. Em lugar algum. Fomos muito transparentes. Publicamos todos os contratos. Há alguma organização, reconstrução do estado. Ajudamos o Parlamento a adotar todas estas leis anticorrupção.

Gábor Tanács, euronews:

Tenho de mencionar isto. está a ser processado pelo uso indevido de fundos da União Europeia.

PM da República Checa, Andrej Babiš:

É mentira e é muito engraçado que depois de 10 anos alguém diga essas mentiras.

Gábor Tanács, euronews:

Portanto, diz que foram os seus inimigos políticos internos que lançaram esta espécie de ...

PM da República Checa, Andrej Babiš:

Claro.

Gábor Tanács, euronews:

... Mas, o Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF) lançou a acusação, depois...

PM da República Checa, Andrej Babiš:

O organismo Europeu de Luta Antifraude não encontrou nada. Este subsídio foi verificado 9 vezes pelas autoridades da República Checa. Nunca encontraram nada. Seguia a regulamentação.

Gábor Tanács, euronews:

Mas a polícia checa também a investigá-lo...

PM da República Checa, Andrej Babiš:

A polícia checa veio antes das eleições para influenciar os resultados. Não há provas desta mentira. Zero provas. Ninguém roubou nada, não há corrupção e... Devia visitar a quinta. Verá. É a melhor proporção entre fundos Europeus e dinheiro privado.

Gábor Tanács, euronews:

Tem alguma visão de como deveria ser a União Europeia?

PM da República Checa, Andrej Babiš:

Temos de alcançar as quarto liberdades, como mencionei. Devia ser dada voz a todos os Estados-membros. Temos de dar o nosso melhor para, no futuro, os incluir. Quando todos preencherem, digamos, todas as condições. Devemos inclui-los a todos e depois todo o continente Europeu deve ter um só Euro, uma zona Schengen, defender a Europa, segurança nas fronteiras da Europa com o mar. Muito simples.