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Estudantes sírios encontram a paz em Portugal

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Estudantes sírios encontram a paz em Portugal

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Enquanto a violência continua na Síria - no sábado, pelo menos cinco pessoas morreram e 43 ficaram feridas na explosão de um carro armadilhado no centro da cidade de Idlib - um grupo de 55 estudantes deixou para trás a Síria e rumou a Portugal para estudar. Não é o primeiro. Há jovens que já se formaram e muitos encontraram empregos. A iniciativa é da Plataforma Global de Apoio a Estudantes Sírios, dirigida pelo ex-presidente português Jorge Sampaio. No total são já mais de cento e setenta os jovens sírios apoiados pelo organismo, a maioria está em Portugal, outros estão no Líbano, Jordânia, Egito, Canadá.

"Não imagina o que é, ás vésperas da vinda, a grande ansiedade em que estão porque, no fundo, saem de um cenário de guerra para um cenário de paz. As famílias ligam muito a isso. Nós não fazemos ideia do que é ter um pai que morreu, ou que foi torturado. É inimaginável", diz Jorge Sampaio, antigo Presidente de Portugal.

Salma Rahma, foi para Portugal tirar um mestrado em engenharia biotecnológica. Quer ser feliz em Portugal, conhecer a cultura e as pessoas já que o seu país não é um bom lugar para viver porque não é seguro e tudo é difícil, não sabe mesmo se um dia regressará:

"Regressar à Síria? Para ser honesta não tenho a certeza, não tenho a certeza", diz Salma.

Até porque para Salma o fim do conflito pode não significar o fim da guerra:

A guerra ainda está na alma das pessoas, talvez tenha destruído a sua alma", desabafa a estudante síria.

Mohammad Abdeen estudava em Homs, em Portugal vai tirar um mestrado em Saúde Pública. Da família mais próxima resta-lhe a irmã que estava já em Lisboa. Os pais morreram. Os seus objetivos de futuro passam talvez por regressar ao seu país:

"O meu mestrado deverá ter dois anos, talvez eu faça um doutoramento depois ou talvez volte para o meu país para ajudar", diz o jovem.

A Síria é, por agora, um pesadelo que podem deixar para trás mas nem todos têm essa sorte. Em março, um relatório da Unicef, dava conta de que sete anos de conflito na Síria deixaram dezenas de milhares de crianças com deficiências permanentes. A organização estima que mais de três milhões continuam expostas, diariamente, a minas terrestres, bombas não detonadas e dispositivos explosivos improvisados. O número de crianças mortas, no ano passado, aumentou 50 por cento, em relação a 2016.