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Bélgica despede-se da criança curda de dois anos abatida pela polícia

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Bélgica despede-se da criança curda de dois anos abatida pela polícia

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Milhares de pessoas participaram esta quarta-feira no funeral da menina curda de dois anos, morta pela polícia belga há duas semanas.

Mawda Shawri ia ao colo da mãe numa carrinha com 30 imigrantes ilegais que estava a ser perseguida pela polícia. Foi atingida na cara por um tiro.

A advogada da família, Selma Benkhelifa, espera agora que os pais possam ser legalizados e ficar no país.

"Normalmente é a família e os amigos que acompanham os pais quando perdem um filho. Mas aqui a família são os migrantes e estão aqui todos. A comunidade curda na Bélgica e os belgas que quiseram mostrar que os pais não estão sozinhos na dor e que os podemos acompanhar no funeral da sua menina."

A polícia mandou parar o veículo que circulava com matrículas falsas. O condutor não parou e iniciou-se uma perseguição de dezenas de quilómetros que acabou perto de Mons, com o único tiro disparado a atingir a criança.

Eren Koc, da Associação Curda de Bruxelas, lembra que "estas pessoas fugiram da guerra e agora perderam a vida aqui na Europa, quando a Europa significa segurança, em princípio".

Na semana passada, centenas de pessoas manifestaram-se em Bruxelas e lembraram Mawda. Penduraram roupas de criança e criticaram as políticas de imigração do Governo.

O ministro belga do interior descreveu o incidente como trágico, mas ainda não esclareceu quanto tempo os pais da criança poderão ficar no país.

Algo inconcebível para Mehdi Kassou, da Plataformas de Cidadãos de Ajuda aos Refugiados.

"Não entendo como o primeiro-ministro recebeu esta família e não regularizou de imediato a situação deles? Sabendo que a menina ia ser enterrada na Bélgica e que se a família não estiver legalizada, não pode voltar e visitar o túmulo da filha."