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Presidente do Sporting CP encostado às cordas pelos jogadores

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Presidente do Sporting CP encostado às cordas pelos jogadores

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REUTERS/Pedro Nunes
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Primeiro foi Rui Patrício a apresentar ao Sporting CP a carta de rescisão unilateral. Seguiu-se, Daniel Podence. Outros poderão seguir-se se, ao que parece, Bruno de Carvalho não se demitir da presidência do Sporting.

Patrício e Podence são representados pela Gestifute, do empresário Jorge Mendes, com quem Bruno de Carvalho se incompatibilizou praticamente desde que se tornou presidente dos "leões".

Numa carta muito similar, ambos os atletas alegam não ter condições de trabalho no clube e o guarda-redes assume-se mesmo vítima de assédio agressivo por parte do líder da direção.

Nas cartas de ambos são relatados vários episódios, nomeadamente as diversas reuniões mantidas com o presidente e reveladas várias mensagens escritas enviadas por Bruno de Carvalho aos jogadores.

São também relatados os choques entre o presidente e o treinador Jorge Jesus, a quem terá chegado a ser dito estar despedido embora ainda tenha mais um ano de contrato.

Os meios de comunicação em Portugal admitem este sábado haver mais futebolistas na calha para resolverem de forma unilateral os vínculos com a SAD de Alvalade, alegando falta de condições para exercerem a profissão no clube, em particular pela pressão exercida pelo presidente Bruno de Carvalho.

O jornal Record adianta os nomes de Gelson Martins, William Carvalho, Bas Dost, Bruno Fernandes, Rodrigo Battaglia e Marcos Acuña como os jogadores com a carta de rescisão pronta a enviar para Alvalade.

O Sporting arrisca-se a ficar sem os principais ativos do clube e sem qualquer retorno financeiro, embora o presidente "leonino" prefira antever uma eventual longa batalha legal que será prejudicial aos atletas.

O jornal A Bola adianta o eventual recuo de Patrício e Podence nos pedidos de rescisão caso Bruno de Carvalho se demita do cargo.

O presidente tem resistido a todas as pressões, acentuadas após o violento ataque de 15 de maio à equipa em plena Academia de Alcochete, a poucos dias da final da Taça de Portugal.

A rescisão de Rui Patrício, a primeira a avançar, terá sido espoletada pelo corte de negociações do Sporting com o Wolverhampton para a transferência do guarda-redes de 30 anos para a equipa orientada por Nuno Espírito Santo.

Bruno de Carvalho responsabilizou o empresário Jorge Mendes pela rutura das negociações, denunciando uma exigência da Gestifute de mais de sete milhões de euros dos 18 milhões acertados entre os clubes.

A Gestifute negou tal exigência e, em comunicado, explicou ter envolvido como contrapartidas da intermediação pela transferência de Patrício uma dívida ainda referente à renovação de Adrien Silva e pendente da transferência para o Leicester, tendo o Sporting aceitado tal condição.

Os "leões" -- alega a empresa de Jorge Mendes -- terão recuado no negócio com os "Wolves" depois do presidente Bruno de Carvalho ter exigido mais dois milhões de euros do que os 18 já acordados.

A corda continua a esticar para Bruno de Carvalho, que insiste também em jogar ao ataque de forma interna.

Na quinta-feira, a direção do Sporting decidiu substituir de forma unilateral a Mesa da Assembleia Geral por uma comissão transitória e anular a reunião magna de dia 23 que tinha o propósito de destituir o presidente da direção.

Aquele órgão, através do presidente ainda em funções, Jaime Marta Soares, evocou "um golpe de Estado" em curso no Sporting.

Já este s´abado, a comissão transitória do Sporting convocou eleições para a Mesa da Assembleia Geral e para o Conselho Fiscal e Disciplinar para o dia 21 de julho no pavilhão João Rocha.

A Holdimo, o segundo maior acionista do Sporting, também se colocou em jogo, através de um comunicado, confirmando o requerimento de uma "intervenção judicial, com caráter de urgência, para destituição imediata dos membros da Comissão Executiva da SAD."

"É com esta autoridade moral que nos dirigimos aos jogadores e respetivos agentes, apelando para que se associem à solução e não optem por atos emocionais que podem ter consequências graves para todas as partes", alerta a empresa liderada por Álvaro Sobrinho, que se demarca de "todas as posições públicas" de Bruno de Carvalho.

Com um novo empréstimo obrigacionsita de 15 milhões de euros prestes a iniciar-se, o presidente da direção do Sporting admitiu que, se ocorrerm mais rescisões de jogadores, esse processo financeiro pode estar em risco.