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Consumo de cocaína continua a aumentar na Europa

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Consumo de cocaína continua a aumentar na Europa

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O consumo da cocaína continua aumentar na Europa, de acordo com o mais recente relatório do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência.

Num centro de apoio social a toxicodependentes, em Bruxelas, as consequências são bem conhecidas.

Point of view

Quando as drogas de rua são misturadas com fentanil, aumenta drasticamente o risco de 'overdose' fatal

Sébastien Alexandre Diretor, FEDITO BXL

Vítima de um acidente de trabalho na construção civil, há dez anos, Suleiman viciou-se nesta droga e diz que "a cocaína é muito difícil parar de tomar, continua a destruir-me e levou-me todo o meu dinheiro".

A agência europeia, sedeada em Lisboa, aponta a cocaína como "o estimulante ilícito mais consumido na Europa", com 2,3 milhões de pessoas, entre os 15 e os 34 anos, a recorrerem ao seu uso, no último ano.

"Observamos que 41 por cento dos pacientes declararam usar cocaína ou crack em exclusivo e é algo que vem aumentando há dois ou três anos", confirmou, à euronews, Bruno Valkeneers, diretor de comunicação do centro.

O relatório destaca, ainda, os 17,2 milhões de consumidores de canábis e a proliferação de drogas sintéticas, tendo 51 novas substâncias sido detectadas no ano passado.

De acordo com especialistas, a Europa enfrenta um sério risco com o abuso de fentanil, um opióide 50 vezes mais forte do que a heroína.

"O problema com uma droga de rua é que nunca sabe o que se está a consumir. Quando as drogas de rua são misturadas com fentanil, aumenta drasticamente o risco de 'overdose' fatal para o consumidor", explicou, à euronews, Sébastien Alexandre, diretor da Federação Francófona de Instituições de Dependência de Drogas, na Bélgica.

Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência assinala que as mortes por 'overdose' continuam a aumentar, há quatro anos consecutivos, especialmente com opiáceos, tendo ultrapassado as nove mil, no ano passado.

Além de ser destino de tráfico de drogas produzidas em outros continentes, a Europa regista "sinais preocupantes" de que está a aumentar a produção, nomeadamente em laboratórios de MDMA (conhecido como 'ecstasy'), anfetaminas e drogas sintéticas que até estão a ser exportadas para a América, Austrália, Extremo Oriente e Turquia.

A Península Ibérica, que tem sido o principal ponto de entrada de droga na Europa, perde importância para outros locais mais a norte, como indicam dados de 2016, em que se verifica que 43 por cento da cocaína apreendida na Europa entrou por portos belgas.

No relatório anual destaca-se ainda a atenção que tem que ser dada às prisões como "locais críticos" para acompanhar consumidores de drogas de alto risco, encaminhando-os para tratamento e fornecendo terapias de substituição enquanto estão presos, rastreando ainda as doenças infecciosas associadas ao consumo de opiáceos injetáveis.