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Belgrado, entre a boémia e a história

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Belgrado, entre a boémia e a história

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Belgrado, uma das cidades mais antigas da Europa, é conhecida pela mistura de culturas e descrita como uma ponte entre o Leste e o Oeste.

A capital sérvia tem um milhão e meio de habitantes. Há quem diga que a energia da cidade vem do cruzamento entre o passado e o futuro.

Para mergulhar no passado, basta visitar as fortalezas de Belgrado, testemunhas silenciosas de 122 guerras.

As primeiras fortalezas datam do período celta, três séculos antes da era cristã. Foram depois conquistadas pelos romanos e destruídas 44 vezes.

"Kalemegdan é o coração da cidade. Aqui, podemos viajar pela história. Temos aqui a parte romana do muro, há a parte medieval sérvia, e, neste preciso momento, estamos a caminhar pelo muro austro-húngaro", contou Milan Drobnjak, guia turístico em Belgrado.

"No interior da Igreja Ruzica, na fortaleza de Belgrado, temos um candeeiro feito de armas que tem um significado profundo. Não queremos voltar a ter guerras em Belgrado", explicou o guia sérvio.

O lado moderno da cidade está presente na outra margem do rio Sava. O edifício Cristal da Confluência construído nos anos 60 alberga arte contemporânea sérvia e jugoslava.

"A exposição sublinha a importância da herança artística da Jugoslávia e da mistura de culturas e de códigos artísticos do que designamos como espaço artístico jugoslavo", declarou Dejan Sretenovic, curador do museu de arte contemporânea de Belgrado.

A figura de Tito, líder da Jugoslávia entre 1953 e 1980, ocupa um lugar de destaque na exposição. O antigo presidente jugoslavo foi fotografado por Dusan Otasevic em 1969.

"A obra é ambígua do ponto de vista do significado. Não conseguimos dizer se é uma afirmação do culto da personalidade de Tito expressa numa linguagem artística diferente. Há quem diga que há uma ironia distante na fotografia. É uma questão que continua a ser colocada", disse Dejan Sretenovic.

Boémia e vida noturna

Os grandes líderes do Estado jugoslavo tinham o hábito de jantar na rua Skadarlia, uma artéria de artistas e boémios.

"Era um bairro cigano no início do século XIX e, pouco a pouco, tornou-se num bairro boémio para os artistas de Belgrado, como Djura Jaksic. É um pintor e escritor sérvio famoso que viveu nesta rua, naquela casa", contou o escritor Goran Gocic à repórter da euronews.

Outro símbolo de Belgrado: o restaurante "Os três chapéus" fundado em 1864.

"Belgrado é uma cidade cheia de diferenças. Alguns aspetos são totalmente incompatíveis uns com os outros, mas, coexistem. São as diferenças que tornam a cidade viva e dão-lhe uma magia. Toda a gente que vem a Belgrado sente-se em casa", contou a atriz sérvia Hana Selimovic.

A cooperativa de Belgrado é uma fonte de inspiração para muitos artistas. Há cem anos, o edifício era sede de um banco.

"Foi um desafio para os arquitetos. As fundações do edifício eram irregulares. O prédio devia acima de tudo mostrar o poder e a segurança da Cooperativa de Belgrado enquanto instituição, e do dinheiro que era investido no banco", explicou a arquiteta Aleksandra Sevic.

Ao lado da cooperativa de Belgrado, na frente ribeirinha, está a ser construído um enorme projeto imobiliário. Um centro comercial, hotéis e apartamentos deverão acolher 14 mil pessoas à beira do rio Sava.

"A ideia do projeto é voltar a fazer a ligação entre as pessoas e a frente ribeirinha, fazendo reviver esta área ao pé do rio que tem sido negligenciada, aproximando as pessoas da água o mais possível", afirmou Nikola Nedeljkovic, gestor do projeto.

A vida noturna, vibrante e imparável, é outro dos atrativos atuais de Belgrado.

"Estamos em Sava Mala, o local principal da vida noturna em Belgrado. Esta parte antiga é hoje muito famosa pela discotecas. É o local perfeito para captar o ritmo de Belgrado", sublinhou o sérvio Nemanja Tankosic. E acrescentou: "A vida noturna da cidade é muito especial porque as pessoas de Belgrado e os sérvios vivem para a festa e a festa nunca acaba!"

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