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As desigualdades salariais na Europa

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As desigualdades salariais na Europa

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As desigualdades estão a aumentar na Europa. Os 20% de trabalhadores que se encontram no topo da tabela salarial ganham cinco vezes mais do que os 20% com menores salários.

A desigualdade resulta da progressão mais rápida dos salários mais altos e de um aumento menor dos salários mais baixos. O crescimento lento dos salários mais baixos tem sido um dos principais problemas da Europa depois da crise. Esta situação é particularmente visível em Portugal e na Roménia, mas também em Itália e na Alemanha.

Se considerarmos os empregos criados na União Europeia desde 2013, vemos que quase três milhões de empregos pertencem à categoria dos salários altos e 800 mil empregos pertencem à categoria dos salários médios. Mas, há cerca de um milhão e meio de empregos na categoria dos salários baixos. A tendência é visível em vários países. Além das diferenças entre os salários maiores e os menores, há também a desigualdade salarial homem-mulher que ronda os 16% na União Europeia.

A fuga dos jovens na Letónia

Na Letónia, ganha-se, em média, quatro euros à hora, três vezes menos do que a média da União Europeia. A desigualdade salarial é mais elevada do que nos restantes países. E os jovens imigram à procura de melhores salários. Este ano, o governo letão decidiu aumentar o salário mínimo para 430 euros por mês, para ajudar as famílias com menores rendimentos. Em termos salariais, a Letónia é um país de extremos.

"Se considerarmos o PIB per capita, em Riga, o nosso nível é similar ao do Reino Unido, em média. Mas, nas províncias de Leste, a quatro horas da capital, o nosso PIB per capita é semelhante ao da África do Sul. A taxa de desemprego em Riga é de 4 a 5% mas em Latgale é de 18%. As perspetivas de emprego, carreira e rendimentos são superiores no Reino Unido, na Alemanha e em França. Estamos a ficar um país de velhos", considerou Vjačeslavs Dombrovskis, presidente do Diretório do grupo de reflexão política Certus.

Para incitar os jovens a ficarem no país, o governo da Letónia decidiu investir na educação e na formação, privilegiando os setores das novas tecnologias da informação e da comunicação.

"É uma indústria em crescimento. O governo investe porque as regras do jogo, as regras comerciais e a legislação fiscal, são competitivas, mais competitivas do que nos mercados alvo onde podemos impor-nos. As perspetivas de uma empresa na área das tecnologias da comunicação são positivas a 100%", frisou Janis Rocens, presidente da SWH SETS.

Salários mais elevados, mais formação para melhorar a empregabilidade e um ministério dedicado à diáspora para travar à saída dos jovens. São as medidas implementadas pelo estado letão para dar oferecer aos jovens um futuro melhor e salvar o país do declínio demográfico.

A visão da Confederação Europeia dos Sindicatos

Para aprofundar o tema da desigualdade salarial, entrevistámos o secretário-geral da Confederação Europeia dos Sindicatos, Luca Visentini, em Bruxelas.

euronews: "Lançámos-lhe o desafio de nos trazer um objeto que represente a desigualdade. Qual foi?"

Luca Visentini: "Escolhi esta bela bicicleta que me foi oferecida como prenda quando fui eleito secretário geral da confederação em 2015. Simboliza o caminho para a igualdade. Temos de pedalar para chegar à igualdade. Decidi colocar no cesto da bicicleta o meu cartão de segurança social da Bélgica, algo que nem toda a gente tem. É também um símbolo do longo caminho a percorrer para atingir a igualdade, mesmo em países desenvolvidos do ponto de vista da proteção social e dos direitos como é a Bélgica".

euronews: "A desigualdade afeta o crescimento dos países?"

Luca Visentini: "Absolutamente. A desigualdade reduz a produtividade e a competitividade, e, infelizmente, não torna o mercado de trabalho mais eficiente. A desigualdade obriga a gastar o orçamento público para ajudar os trabalhadores precários que não têm reformas, no final da carreira, e as pessoas que não têm subsídio de desemprego ou que estão em situação de pobreza. Todas essas pessoas precisam de apoio público, o que consome recursos que podiam ser investidos. No final, é um círculo vicioso que destrói o potencial de crescimento da economia".

euronews: "O nó do problema é a fragilidade da negociação coletiva na Europa?"

Luca Visentini: "O problema não é o facto de os sindicatos terem menos força mas o facto de os sistemas de negociação coletiva terem sido atacados durante a crise, na sequência das medidas de austeridade. O desmantelamento dessas instituições leva não só ao enfraquecimento dos sindicatos mas também ao enfraquecimento das associações de empregadores. Quando os parceiros sociais são fracos, é muito difícil gerir a evolução da economia de modo a reduzir as desigualdades".

euronews: "É o líder dos sindicatos, na Europa. Mas, se olharmos para o resto do mundo, podemos concluir que a própria natureza da globalização leva à redução dos salários?"

Luca Visentini: "Se olharmos para uma empresa e para os custos de produção e exportação, a componente salarial é muito baixa, entre 5 a 15%, o restante é investimento, especialmente, em inovação tecnológica, digitalização e automação dos processos e também em qualidade da produção. São esses os elementos que fazem a diferença em termos competitivos. As exportações representam metade do problema, a outra metade é o consumo interno. Se aumentarmos os salários de acordo com a produtividade, estimulamos as exportações e a procura interna. Deste modo, o modelo de crescimento económico torna-se sustentável no longo prazo e os parceiros sociais fazem parte da solução. Se o conseguirmos fazer, poderemos recuperar a confiança na União Europeia".

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