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Governo italiano poderá criar recenseamento sobre comunidade cigana

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Governo italiano poderá criar recenseamento sobre comunidade cigana

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O ministro do Interior (Administração Interna) italiano, Matteo Salvini, disse que o seu Governo tinha intenção de levar a cabo uma espécie de censo sobre a comunidade Roma a residir em território nacional.

Salvini, parte do novo executivo de coligação entre os populistas de direita da Liga e os antissistema do Movimento Cinco Estrelas, falou no censo como um dos passos de um projeto que prevê o fecho de todos os campos de membros da comunidade Roma atualmente existentes no país.

A Liga, antiga Liga Norte, militou pela independência de parte de Itália, num território definido como Padânia, embora incluísse também as regiões da Toscânia, Úmbria e das Marcas. O partido define-se agora como crítico da União Europeia e é definido por vários politólogos como de direita populista e mesmo de extrema-direita.

Em entrevista à televisão regional TeleLombardia, da região lombarda, Matteo Salvini defendeu a necessidade de resolver um tema alegadamente abandonado pelo antigo ministro do Interior, Roberto Maroni.

"Nada foi feito e a situação é de caos," disse Salvini à TeleLombardia. "Vamos fazer um reconhecimento da comunidade Roma em Itália para saber quantos são, quem são, o que fazem."

O ministro do Interior acrescentou que os membros da comunidade Roma que não tenham o direito legal de viver em Itália serão deportados para os respetivos países de origem, acrescentando que "infelizmente, terão de manter os Roma italianos em casa."

Para vários membros do Partido Democrático (centro-esquerda, oposição), no entanto, o anúncio de Salvini era "arrepiante" e recordava "políticas nazis."

Em 2015, Salvini causou polémica pelos comentários feitos relativamente à comunidade cigana residente em Itália, ao dizer que, se tivesse oportunidade, "acabaria com os campos dos Roma."

Um país na linha da frente

De acordo com a organização a favor dos direitos das minorias 21 de Julho, vivem em Itália cerca de 180 mil membros da comunidade Roma, o que corresponde a cerca de 0,25% da população.

Mais de 100 mil são oriundos da região balcânia, cerca de 60% tem até 18 anos e mais de metade vive como nómada.

A Itália vive, nos últimos anos, um aumento das tensões entre nacionais e as comunidades de imigrantes, especialmente depois do início da chamada crise dos migrantes e dos refugiados, já que o país do sul da Europa se encontra, tal como a Grécia, na linha da frente, tendo recebido milhares de migrantes nos últimos meses.

No ano passado, os migrantes registados em território italiano, em busca do Estatuto de Refugiado, vieram de países como a Nigéria, a Guiné-Conacri, a Costa do Marfim e do Bangladesh, seguindo-se países como o Mali, a Eritreia, o Sudão, a Tunísia, Marrocos, Senegal e a Gâmbia.