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Começou julgamento sobre "bebés roubados" no franquismo

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Começou julgamento sobre "bebés roubados" no franquismo

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Procuram os filhos, os irmãos... procuram há já muito tempo. Chamam-lhes os "bebés roubados" do franquismo, recém-nascidos que eram tirados a opositoras do regime ou simplesmente mulheres pobres para serem entregues a famílias quase sempre próximas do poder.

“Roubaram-me uma menina que nasceu a 23 de maio de 1977", afirmava uma mulher durante um protesto em Madrid.

"Estou à procura de uma irmã, nascida a 20 de setembro de 1966. Nunca acreditámos que ela tivesse morrido. Não há certidão de nascimento, nem de óbito, nem sequer a identidade do médico que fez o parto à minha mãe", explicava outra manifestante.

Tudo isto aconteceu em Espanha ao longo da ditadura, de 1939 até 1975. Estarão em causa dezenas de milhares de casos. Esta terça-feira, pela primeira vez, um médico obstetra de 85 anos, Eduardo Vela, sentou-se no banco dos réus em Madrid.

"Quando uma mulher dava entrada na clínica onde o senhor trabalhava, quais eram os procedimentos a seguir", perguntou-lhe a procuradora. "Não sabia nada além dos procedimentos médicos. Não sabia", foi a resposta do antigo clínico.

Não é o que diz Inès Madrigal, uma mulher de 49 anos que acusa Vela de a ter roubado à família biológica, mediante a solicitação de um padre, e de ter falsificado a certidão de nascimento. Foi graças ao testemunho da mãe adotiva, entretanto falecida, que Inès pôde descobrir a sua história.