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Irlanda: a fronteira do "Brexit"

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Irlanda: a fronteira do "Brexit"

Irlanda: a fronteira do "Brexit"
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Ao longo da fronteira que divide a Irlanda entre o Norte, pertencente ao Reino Unido, e o Sul, há mais de 300 passagens sem guardas fronteiriços.

À meia-noite de 29 de março de 2019, uma linha vai passar a separar dois lados da mesma estrada e um deles vai deixar de pertencer à União Europeia.

Desde 1923 que é permitido às pessoas atravessar a fronteira sem controlo, mas só nos últimos 25 anos é que os bens têm passado livremente de um lado para o outro.

Com a implementação do Brexit, não está para já anunciado o retorno dos postos fronteiriços. Mas na pequena vila de Dundalk, no lado sul da fronteira, há receio de que a saída da União Europeia traga consequências para as empresas.

Paddy Malone, é um contabilista local e teme que a aplicação de impostos e diferenças de preços façam ressurgir alguns dos problemas do passado. "Há uma diferença entre impostos aduaneiros e outras coisas. Vamos ver o reaparecimento de contrabando, crime organizado, de uma certa criminalidade", lamenta.

Para a população local, o presente é de incerteza e pessimismo. Mas a pouco mais de 15 quilómetros a norte, já em território do Reino Unido, os agricultores não temem que a economia local seja afetada. Ivor Ferguson é agricultor na Irlanda do Norte, e, apesar de as questôes aduaneiras assombrarem os negócios da região, está positivo quanto ao futuro do comércio entre o país e a Irlanda que ficou dentro da União Europeia. "Nós estamos um pouco preocupados com as questões do comércio. Mas recusamo-nos a acreditar que vai deixar de haver negócios, estamos convictos de que vamos continuar a poder vender como antes", afirma.

Até ao momento, o governo brtiânico não apresentou qualquer proposta que contemple o estatuto formal da fronteira irlandesa e a imprevisibilidade do impacto do "Brexit" no dia-a-dia das populações, está a deixar os irlandeses ansiosos.

Com os olhos estão postos em Londres, todos aguardam que Theresa May surja com uma fórmula que agrade tanto aos irlandeses, como a Londres e a Bruxelas.