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A perversidade da globalização

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A perversidade da globalização

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Quando se recebe um convite de uma ONG prestigiosa para assistir a um debate sobre a perversidade da globalização, fica-se com vontade de ouvir tudo com atenção.

Especialmente numa altura em que as mudanças climáticas, o aumento das desigualdades e da pobreza deixam as pessoas inquietas em relação à globalização.

A Euronews foi convidada a assistir ao Fórum Crans Montana, em Bruxelas. Centenas de personalidades do mundo da política, dos negócios e das organizações internacionais reuniram-se para debater, sem tabus, o estado do mundo.

"A globalização é, em si própria, perversa. Deixa de de haver fronteiras, tudo é livre e aberto, os mercados autorregulam-se. Mas isso não é verdade! Na maioria dos países que sofrem as consequências da globalização, assistimos ao regresso dos movimentos de direita e do nacionalismo", afirmou Jean-Paul Carteron, presidente honorário e fundador do Fórum Crans Montana.

O evento contou com participantes de vários países africanos. Para o antigo presidente do Mali, as nações mais pobres, que nunca viram as vantagens da globalização, sentem-se injustiçadas.

"É óbvio que as riquezas do mundo estão mal distribuídas. Há uma minoria que possui o essencial da riqueza e uma maioria que vive na miséria", sublinhou Dioncounda Traoré.

O papel da globalização nas mudanças climáticas

As mudanças climáticas foram outro dos temas em debate. O risco de desaparecimento de ilhas inteiras é uma das consequências mais dramáticas do aumento da temperatura global associada às atividades económicas humanas.

Concretamente, a subida do nível do mar ameaça a existência do arquipélago de Quiribáti. O antigo presidente das ilhas situadas no Oceano Pacífico aponta o dedo ao atual modelo económico baseado na exploração intensiva de recursos e na destruição dos ecossistemas.

"As mudanças climáticas e a globalização andam de mãos dadas, devido à industrialização, à ideia de que é preciso acumular recursos e arrecadar muitos lucros, mesmo que isso prejudique o ambiente", criticou Teburoro Tito.

Uma conselheira do Quénia falou do papel e da responsabilidade dos meios de comunicação digitais e das redes sociais.

"O Facebook, o Twitter, o YouTube e todas as plataformas digitais devem assumir o seu papel e a sua responsabilidade no palco mundial", afirmou Ogutu Okudo, conselheira do governo do Quénia para a região de Siaya.

Num mundo onde "o direito do mais forte" tende a impor-se, muitos participantes esperam que a União Europeia possa ser uma garantia de multilateralismo na política internacional.

"O multilateralismo está a ser posto em causa e a Europa é o último bastião para protegê-lo", sublinhou Lilyana Pavlova, ministra do desenvolvimento regional da Bulgária.

O Fórum Crans Montana foi criado nos anos 80 com objetivo de contribuir para um mundo melhor. A vigésima nona edição do encontro decorreu a 28 de junho em Bruxelas.