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Cartão Azul poderia ajudar refugiados e migrantes a encontrar trabalho

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Cartão Azul poderia ajudar refugiados e migrantes a encontrar trabalho

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O envelhecimento em geral e a diminuição da população ativa na União Europeia terão de ser compensados ​com trabalho de refugiados migrantes, de acordo com estudos da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico.

Os meus impostos servem para ajudar outras pessoas a receberem o apoio de que precisam

John Refugiado sírio na Holanda

A Holanda foi um dos nove Estados-membros que participou no projeto-piloto Skills2work, operacionalizado pela Organização Internacional para as Migrações, nos últimos dois anos, para integar refugiados no mercado de trabalho europeu.

"Estou contente por poder pagar impostos porque, graças a Deus, recebi subsídio da segurança social apenas ao longo de sete meses. Não foi muito tempo. Agora já estou a devolver o dinheiro que me foi dado dos impostos pagos por outras pessoas. Os meus impostos servem também para ajudar outras pessoas a receberem o apoio de que precisam", contou John, um refugiado da Síria que era gestor de vendas e agora é cozinheiro numa empresa de catering, em Amesterdão, o que ajudou à sua integração.

"Começo a sentir que este é o meu país, este é o meu povo e meus colegas são tão bons comigo que me começo a sentir, realmente, em casa", acrescentou.

John foi um dos cerca de 300 refugiados que a delegação na Holanda da multinacional de recursos humanos Manpower já ajudou, enquanto parceira do programa Skills2work.

O objetivo é fazer a ligação com as autoridades locais, organizações não-governamentais e empregadores. Aprender a língua é o principal desafio, mas há outras necessidades que são abordadas.

"Cada indivíduo é diferente, não temos apenas um tipo de formação para todos os refugiados. Nalguns casos, trabalhamos em conjunto com os municípios e ajudamos a procurar emprego, a perceber como funcionar o mercado de trabalho na Holanda, como redigir o CV, como lidar com sos colegas", explicou Dirco Dekker, gestor de desenvolvimento social na Manpower.

Criado em 2009 para atrair migrantes altamente qualificados que não são cidadãos da União Europeia para o mercado de trabalho europeu, o Cartão Azul poderia ser uma das formas legais e seguras de trazer migrantes e refugiados para a União Europeia.

Mas a revisão desta diretiva está bloqueada, há meses, pelos governos dos Estados-membros, que não chegam a acordo sobre a proposta da Comissão e do Parlamento europeus para expandir o acesso ao Cartão Azul aos refugiados em toda a União Europeia e torná-lo mais flexível.

Algumas das alterações seriam: baixar a duração do contrato de 12 meses para seis meses, dar equivalência entre experiência profissional e qualificações académicas e permitir que os utentes passem a residir em qualquer Estado-membro a partir de três anos, em vez de cinco.

Claude Moraes, relator da revisão e presidente da Comissão de Justiça e Liberdades Civis no Parlamento Europeu, critica a falta de vontade política.

"Achamos que podemos ir para onde queremos no mundo e convidar quem queremos para vir para a Europa, mas não queremos gerir a migração que nos chega. Esse é um problema que se refletiu nessa simples revisão do Cartão Azul, que é bastante usado por países como a Alemanha, mas com o atual debate tóxico foi rejeitado", disse o eurodeputado britânico de centro-esquerda.

Só com luz verde dos Estados-membros, a revisão da diretiva poderá ser aprovada no plenário do Parlamento Europeu e adotada para ajudar mais pessoas como John a acederem ao mercado de trabalho europeu.