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"As ONG são necessárias no resgate no mar", diz Eugenio Cusumano

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"As ONG são necessárias no resgate no mar", diz Eugenio Cusumano

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As operações de busca e salvamento no mar são uma das questões mais controversas na gestão europeia dos fluxos migratórios.

Não há uma presença europeia suficientemente capaz de operar na costa da Líbia

Eugenio Cusumano Professor, Universidade de Leiden

O papel das organizações não-governamentais e a cooperação com as autoridades da Líbia são alguns dos temas abordados na entrevista da jornalista da euronews, Isabel Marques da Silva, a Eugenio Cusumano.

O professor de Relações Internacionais na Universidade de Leiden, na Holanda, faz investigação sobre o mar enquanto terreno de ação humanitária.

euronews: Que papel devem desempenhar as organizações não-governamentais nas atuais operações de resgate no mar?

Eugenio Cusumano: As organizações não-governamentais são necessárias porque, de momento, não há uma presença europeia suficientemente capaz de operar na costa da Líbia e a guarda costeira da Líbia, que foi treinada pela Itália e pela União Europeia, ainda não está totalmente preparada para realizar operações de busca e salvamento por conta própria. A data prevista para a conclusão do Centro de Coordenação de Resgate Marítimo é o final de 2020. É um projeto que está a ser realizado pela Itália, mas um país que não tem um Centro de Coordenação de Resgate Marítimo e está em tal estado de fragilidade, não é de total confiança para a condução de operações de busca e salvamento.

euronews: Porque é que disse que a decisão de Espanha de receber estes barcos é mais prejudicial do que positiva na atual situação?

Eugenio Cusumano: Os portos espanhóis estão muito longe para serem um local de desembarque seguro, de forma sistemática. Claro que pode haver um ou outro desembarque em Valência ou em Barcelona mas, tal como a vossa jornalista no interior do Aquarius testemunhou, é uma longa viagem, que acarreta muitos problemas do ponto de vista humanitário e logístico e que obriga as ONG a estarem afastadas da área onde ocorre a maioria das situações de perigo, por mais de uma semana. Com a exceção de Malta, os outros Estados europeus estão demasiado longe para poderem ser portos adequados. Idealmente, seria melhor, do ponto de vista humanitário e logístico, que os migrantes fossem desembarcados em Itália e depois transferidos para outros países da União Europeia.

REUTERS

euronews: Qual é o seu ponto de vista sobre as operações de luta contra os traficantes e o modo como a Guarda Costeira da Líbia opera na região?

Eugenio Cusumano: Existe o risco das estratégias anti-tráfico, seja no mar ou em terra, tornarem as viagens dos migrantes mais perigosas. Se tiverem de ser levadas a cabo ações contra os traficantes, têm de acontecer, em primeiro lugar, em terra, nos países de origem e de trânsito. O quer que seja que se passe no mar deve ser subordinado aos imperativos morais e legais de condução de operações de busca e salvamento, algo que os contrabandistas sabem bem e aproveitam quando tentam fazer chegar as pessoas a Itália.