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Mechelen: o "segredo" da integração de estrangeiros

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Mechelen: o "segredo" da integração de estrangeiros

Mechelen: o "segredo" da integração de estrangeiros
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A localidade de Mechelen era conhecida, há duas décadas, por ter das mais altas taxas de pobreza e criminalidade da Bélgica. Agora, é um exemplo de desenvolvimento local, incluindo na convivência das 130 nacionalidades que existem entre os 90 mil habitantes.

Considero que é muito importante lutar contra a segregação por forma a criar uma comunidade de cidadãos

Bart Somers Presidente da câmara, Mechelen (Bélgica)

O presidente da câmara, Bart Somers, ganhou o Premio Mundial do Autarca, em 2016, pelos bons resultados na integração de refugiados e migrantes, e a sua receita é fazer a ponte entre os locais e os recém-chegados.

Uma semana por semana, ao longo de seis meses, os "dois lados" da comunidade encontravam-se para se conhecerem e ajudarem os recém-chegados a aprenderem a língua local.

"Vivemos numa espécie de realidade "em modo" apartheid. Fala-se muito sobre os benefícios da diversidade, mas quantos de nós contactam, de facto, com pessoas de diferentes origens, na sua rotina? Considero que é muito importante lutar contra a segregação por forma a criar uma comunidade de cidadãos de Mechelen", disse o autarca à euronews.

Políticas ao nível da segurança e da requalificação de bairros pobres são prioritárias para Bart Somers. Além dos resultados práticos, também ajudam a travar discursos mais populistas.

"Se uma cidade tiver muita criminalidade e as ruas estiverem sujas, as pessoas culparão dois grupos. Primeiro, os políticos democráticos, e procurarão alternativas extremistas. Depois, os migrantes. É muito fácil dizer que os responsáveis pelo declínio da nossa cidade são os recém-chegados!"

Bart Somers até convidou um dos líderes europeus mais anti-migração - Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria - para visitar a cidade onde vivem 20 mil muçulmanos, alegadamente mais do que nesse país e na vizinha Eslováquia juntos.

"Mechelen é um bom exemplo de integração. No entanto, para alcançar este resultado, as cidades europeias têm de enfrentar muitos desafios, tais como sobrecarga nas finanças públicas, a falta de coordenação internacional e, às vezes, a polémica política", realçou a jornalista da euronews, Elena Cavallone.

Os líderes dos Estados-membros da União Europeia têm discutido muito a necessidade de solidariedade com os países que são porta de entrada dos migrantes e refugiados. Para o Conselho Europeu dos Municípios e Regiões (CEMR) é preciso ter uma estratégia mais descentralizada.

“O problema é que os Estados consideram que a recepção dos migrantes é da sua responsabilidade, e isso é verdade. No entanto, quando as pessoas chegam, os municípios são aqueles que têm que enfrentar problemas de acolhimento, alojamento e outras questões urgentes. É por isso que pedimos um orçamento europeu dedicado a ajudar as autoridades locais que estejam dispostas a acolher refugiados, de modo a ajudá-los nessa tarefa”, explicou Frédéric Vallier, secretário-geral do CEMR.

A União Europeia está muito dividida nesta questão: além dos países do leste e do centro europeu, os países nórdicos também se alinham pela contenção de migrantes. Já países do sul, tais como França, Espanha e Portugal, continuam a defender uma política de acolhimento equitativa.