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"Falstaff" de volta aos palcos da Royal Opera

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"Falstaff" de volta aos palcos da Royal Opera

"Falstaff" de volta aos palcos da Royal Opera
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Shakespeare inventou-o, Verdi tornou-o imortal.

"Falstaff" é uma ópera cómica sobre um bon vivant, de volta aos palcos da Royal Opera, em Londres, numa produção do canadiano Robert Carsen.

"É uma das fantásticas personagens míticas. Para mim ele é um pouco como Don Giovanni, mas mais velho. Representa tudo o que se relaciona com a felicidade da vida e "carpe diem" parece que foi escrito para ele - Aproveita o dia presente", diz o diretor de cena.

"A música é muito alegre porque Falstaff é todo ele uma celebração dos prazeres da vida. Adora comer e beber. Por isso, decidimos pôr comida e bebida em todas as cenas. No final parece que vão todos comer Falstaff", acrescenta.

Falstaff, o "Cavaleiro gordo", vive uma vida decadente e resolve seduzir, simultaneamente, duas senhoras casadas que teriam as chaves dos cofres dos seus maridos. O plano corre mal e acaba por ser troçado por toda a vila de Windsor. No final, a história termina bem para Falstaff.

Este foi o papel que tornou famoso o baixo-barítono Bryn Terfel.

"As barrigas, a maquilhagem, as perucas, os bigodes e tudo o resto... É um pesadelo. Perdi 5Kg por causa desse forno puro, a sensação de estar numa sauna por usar tantos adereços em palco", conta Terfe.

Esta ode à grandeza e ao excesso é a última obra-prima de Verdi no final do século XIX.

"Sinto que na criação das suas óperas, Verdi sempre foi um modernista. Mas para mim, ele sempre foi como Rodin na forma de modelar o seu trabalho, tentar chegar à perfeição e depois tentar esculpir outra coisa. Ele é muito vigoroso nas suas abordagens, exceto em Falstaff onde é requintado e delicado em tudo. Mas, é um trabalho excecional e poderá ter sido algo que decidiu fazer porque sabia que não teria outra oportunidade para escrever uma peça como esta", afirma Carsen.

"Quem mais terminou uma ópera com uma fuga? Este é um dos momentos altos da peça. É incrível imaginar que este poderia ser o final de uma peça escrita por um homem já idoso, a quem Rossini disse: 'Jamais serás capaz de escrever uma ópera cómica'. E que fantástica ópera cómica escreveu ele!", Sublinhou Terfel.

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