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João Semedo (1951-2018)

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João Semedo (1951-2018)

João Semedo
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Lusa
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O ex-coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo morreu hoje, aos 67 anos, depois de anos de uma batalha contra o cancro. A informação foi divulgada no site 'Esquerda Net'.

O antigo coordenador do Bloco de Esquerda teve uma vida dedicada à atividade política nacional e internacional, às artes e à medicina, tendo mesmo sido um dos autores da nova proposta de Lei de Bases da Saúde.

"Nunca desejei morrer, mas sempre achei que a morte me apanharia feliz”

João Semedo Médico, ex-coordenador do Bloco de Esquerda

João Semedo, que nasceu em Lisboa, a 20 de junho de 1951, assumiu que teve a vida que escolheu e a vida que quis, numa entrevista ao jornal 'online' Observador, em abril de 2017, onde assumia que preferia a política à medicina, porque a Política, disse na altura, trata "a sociedade mais do que as pessoas”.

Membro da direção do movimento cívico “Direito a morrer com dignidade”, João Semedo nasceu a 20 de junho de 1951, em Lisboa, cidade onde frequentou o Liceu Camões e onde se veio a licenciar, na Faculdade de Medicina de Lisboa, em 1975.

Depois de um longo percurso como médico e político, lançou em janeiro de 2018, em conjunto com António Arnaut, o livro “Salvar o SNS – Uma nova lei de bases da Saúde para defender a democracia”.

João Semedo fundou, em 2003, com outros ex-dirigentes do PCP, o Movimento da Renovação Comunista. No ano seguinte, aceitou o convite de Miguel Portas para integrar como independente as listas do Bloco para o Parlamento Europeu.

A aproximação ao Bloco de Esquerda prosseguiu com a participação de João Semedo nas listas às legislativas pelo Porto e acaba por se tornar deputado, substituindo João Teixeira Lopes, em março de 2006.

Semedo acabou por aderir ao Bloco de esquerda em 2007 e protagonizou candidaturas autárquicas em Gondomar (enquanto independente em 2005), Gaia (2009) e Lisboa (2013).

Reações

O Presidente da República lamenta a morte de João Semedo. Numa nota publicada no 'site' oficial, Marcelo Rebelo de Sousa sublinha que "foi pelas escolhas que fez que se destacou, sempre com uma afabilidade acentuada, convencendo pelo exemplo, afirmando-se pela força do seu pensamento lúcido e clarividente." O Chefe de Estado elogia o caráter do político. "Até a morte encarou com a firmeza e a bondade que o caracterizava, tendo afirmado numa das suas últimas entrevistas que viveu como quis e que de nada do que é importante se arrependeu. O país sentirá a sua falta", diz o Presidente da República.

O presidente da Assembleia da República recordou João Semedo como um “homem de diálogo e de convicções” e que deixa uma “imensa saudade”. Ferro Rodrigues afirma, numa mensagem colocada no ‘site’ do parlamento que Semedo, “como dirigente e coordenador do Bloco de Esquerda contribuiu decisivamente para a consolidação do partido e para a atual solução de governo”, com o executivo minoritário do PS com o apoio parlamentar dos partidos à esquerda.

O Bloco de Esquerda considera que a perda "é de todos os que partilharam o seu ímpar e diversificado percurso, que com ele lutaram, aprenderam e conviveram".O BE sublinha ainda que "a doença prolongada e as crescentes limitações da voz não impediram" João Semedo de "manter a atividade política".

O ministro da Saúde sublinhou hoje o exemplo de vida do ex-coordenador do BE que classificou como um homem sério e bom, sempre dedicado à causa pública. “Era a notícia que todos aguardávamos, mas que ninguém queria receber. Infelizmente, apesar do João dizer que a morte o apanharia feliz, a nós deixa-nos tristes”, disse o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes. O governante sublinhou o exemplo de vida de João Semedo, frisando: “O Semedo estará sempre no nosso pensamento, pelo exemplo de vida, pela coragem com que lidou com a doença, pela dignidade como soube aceitar o fim da vida e como morreu”.

O PS considerou que João Semedo foi um combatente pela liberdade e um humanista ao serviço da medicina que "tocou no coração" de pessoas de todo o espetro político.

A porta-voz do PS, Maria Antónia Almeida Santos, afirma que "como deputado foi um lutador sempre leal. Apesar das diferenças, foi um político com quem sempre deu gosto partilhar e discutir as nossas posições. Tocou no coração de pessoas de todo o espetro político".

A deputada e dirigente do CDS-PPIsabel Galriça Neto lamentou a morte do ex-coordenador do BE João Semedo, lembrando, apesar das divergências, o "bom amigo", com uma vida de "amor à liberdade, respeito, convicções e coragem".

"No dia da sua morte, e celebrando a sua vida, quero falar daquilo que está para além das divergências na política, que é o amor à liberdade, o respeito, as convicções, a coragem, e esses são valores que eu reconheço na vida do João Semedo, permanecem na minha memória, e hoje curvo-me perante essa memória", disse à Lusa Isabel Galriça Neto.