Última hora

Última hora

Vinho belga "beneficia" do aquecimento global?

Em leitura:

Vinho belga "beneficia" do aquecimento global?

Vinho belga "beneficia" do aquecimento global?
Tamanho do texto Aa Aa

O vinho produzido na Bélgica começa a dar cartas no mercado mundial. Num país muito mais conhecido pela reputada produção de cerveja, alguns especialistas do setor dizem que o aquecimento global explica o progresso do ponto de vista da quantidade e da qualidade produzida.

Temos a impressão de que há um aquecimento, mas daqui a 30 anos não sei se não irá na direção oposta

Jean-Bernard Despatures Enólogo, Bélgica

Mas há outro factor, segundo o distribuidor John Collijs: "Há cinco anos tínhamos cerca de 80 hectares de vinha em toda a Bélgica, agora já temos 350 hectares. A área é cinco vezes maior e a produção cresceu nessa proporção. Vemos, efetivamente, um progresso nos últimos cinco anos e parece que a tendência vai continuar".

Em 2017, a produção cifrou-se em quase um milhão de litros. O verão de 2018 tem sido, substancialmente, mais quente e com menos chuva do que o habitual para um país do noroeste europeu.

"Penso que a colheita terá certamente de ser antecipada. Normalmente, a colheita na Bélgica vai da segunda semana de setembro até à segunda semana de outubro, no máximo. Acho que muitos produtores vão, este ano, fazer a colheita no início de setembro ", acrescentou John Collijs.

A propriedade de Chenoy, perto da cidade de Namur, começou a produzir há 15 anos e sete dos dez hectares são dedicados ao vinho tinto. O enólogo Jean-Bernard Despatures trabalha com variedades de uva especialmente adaptadas à Bélgica e é muito cético sobre o impacto positivo das alterações climáticas no país.

"Sou muito cauteloso face a esse argumento porque, em primeiro lugar, não sabemos se se trata apenas de aquecimento. Prefiro a expressão alterações climáticas e não sabemos realmente em que se traduzirá. Receio que haverá mais fenónemos climáticos extremos", disse Jean-Bernard Despatures à euronews.

"Ou seja, num ano tudo corre bem porque está calor, sentimo-nos como no Mediterrâneo, todos os belgas sorriem e eu também. Mas isso não nos protege de uma forte tempestade súbita com granizo. Vemos que tudo está a mudar e agora temos a impressão de que há um aquecimento, mas daqui a 30 anos não sei se não irá na direção oposta", acrescentou.

O enólogo atribui a melhor produção a vários factores, entre os quais o envelhecimento das vinhas e um maior conhecimento de técnicas para as tratar, bem como aos solos.

"É preciso ter bom solo, o que é o caso, e boas condições climáticas. Mas é preciso, também, ter bons conhecimentos, que não se improvisam. É preciso conhecer a teoria, mas também ter muita prática. Com esses fatores e o envelhecimento das videiras, começamos a ter um ecossistema de vinho belga que não existia há 20 ou 25 anos. Antes sentíamo-nos muito sozinhos neste negócio".

Produzir um milhão de garrafas num país que consome 300 milhões é uma gota de vinho no oceano do mercado belga. A boa notícia é que parece haver condições para conquistar uma maior fatia do mercado.