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Tolentino de Mendonça ordenado arcebispo

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Tolentino de Mendonça ordenado arcebispo

Tolentino de Mendoça ordenado Bispo
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LUSA/MIGUEL A.LOPES
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O bispo José Tolentino de Mendonça diz que vai procurar preservar o "grande tesouro" do Arquivo Secreto do Vaticano, que vai tutelar a partir de setembro, e garantiu que continuará a ser padre e escritor.

Tolentino de Mendonça foi este fim de semana ordenado arcebispo, numa cerimónia no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, presidida pelo cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, e a que assistiram centenas de pessoas.

A partir de setembro, vai ser arquivista do Arquivo Secreto do Vaticano e bibliotecário da Biblioteca Apostólica, passando a tutelar a mais antiga biblioteca do mundo.

"A minha preocupação será, por um lado, a de preservar aquele repositório, que é um grande tesouro da igreja e da humanidade e, ao mesmo tempo, pô-lo a dialogar com a contemporaneidade", afirmou aos jornalistas, após a cerimónia de ordenação.

Tolentino de Mendonça defendeu que "é preciso ir além de uma certa ficção que romanceou muito aquele Arquivo privado", sublinhando que o Arquivo "está muito aberto à sociedade" e tem "mais de dois mil investigadores creditados".

"O Santo Padre, o nosso querido papa Francisco, quis colocar-me ao serviço do Arquivo e da Biblioteca Apostólica. Não sei, ainda hoje, as razões do seu convite, que expressa para com a minha pobre pessoa uma confiança que filialmente agradeço, mas que não deixa, ainda agora, de ecoar a sua surpresa em mim", disse, num discurso no final da cerimónia de ordenação.

Já após a ordenação, Tolentino de Mendonça garantiu aos jornalistas que, nas novas funções, que assumirá a um de setembro, não deixará de ser, também, escritor.

"O Santo Padre espera de mim que eu continue a ser um instrumento de diálogo e de aproximação entre a Igreja e a cultura. É isso que farei, a partir da Biblioteca Apostólica, sem dúvida colocando ao serviço da igreja aquilo que são os meus talentos e a minha forma de ser e a escrita é uma forma de comunicação, na qual continuarei a apostar como o lugar de representação, de comunicação de Jesus no mundo de hoje", assegurou.

Da mesma forma, não deixará de ser padre. "Um bispo continua a exercer este ministério de paternidade espiritual para com toda a humanidade e o povo de Deus. Como bispo, continuo a sentir-me pai", sustentou.

"Durante 28 anos, a palavra padre foi a mais bela do meu coração", dissera antes.

Questionado sobre se está disponível para a reforma do papa, o bispo recordou que foi chamado por Francisco, cujo retiro espiritual orientou, na quaresma.

"Certamente é para colocar-me numa grande proximidade com a sua mensagem, com o seu programa para a Igreja do nosso tempo", referiu.

Tolentino de Mendonça explicou que escolheu como lema da sua ordenação "a palavra de Jesus 'Olhai os lírios do campo'".

"É um desafio muito grande alargarmos o nosso olhar cada vez mais. Isso vai muito na linha daquilo que diz o papa Francisco, que temos de ir além da autossuficiência e da autopreferencialidade. É isso que eu também quero viver, uma igreja com sentido missionário e de serviço à humanidade", considerou.

Entre os fiéis estavam o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sozinho numa cadeira mais próximo do altar.

Mais atrás, na primeira fila, estavam o antigo chefe de Estado Aníbal Cavaco Silva, e a mulher, Maria Cavaco Silva, e também a presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, acompanhada da família. Também a antiga presidente do PSD Manuela Ferreira Leite assistiu à cerimónia.

Tolentino de Mendonça dedicou grande parte do seu discurso a agradecimentos, começando pelo Presidente da República.

"A sua presença honra uma história de relação entre a nação portuguesa e a Santa Sé, multisecular, de amizade", afirmou.

Saudou também Manuel Clemente, que disse ser uma inspiração "no seu estilo de pastor, na sua inteligência e no seu coração sempre amigo".

"Caríssimo Dom José Tolentino, estamos aqui tantos, felizes, em ação de graças pela tua ordenação episcopal. Agradecemos ao papa Francisco ter-te escolhido para zelar por um património único de memória criativa", afirmou o cardeal patriarca, durante a homilia

"Imensamente maior é o nosso mundo, com tudo o que espera ou desespera, com quanto atinge de bom ou menos bom. A tua inteligência e sensibilidade saberão partilhar aquilo que agora é confiado ao teu bom zelo e que assim mesmo crescerá também", acrescentou.

Ao longo de quase duas horas e meia, e acompanhada pelos cânticos do Coro Diocesano de Lisboa, a cerimónia de ordenação episcopal como arcebispo titular de Suava (norte de África) foi marcada por vários ritos, como a leitura do mandato apostólico e a entrega do livro dos Evangelhos e das insígnias (anel, mitra e báculo pastoral).

O chefe de Estado foi o primeiro a cumprimentar o novo bispo e foi também o primeiro a receber a comunhão das mãos de Tolentino de Mendonça, seguindo-se a líder do CDS-PP e, um pouco depois, o seu antecessor, Paulo Portas.

O bispo ordenado percorreu a igreja, abençoando os presentes, sob um prolongado aplauso.

"Sei que estamos juntos para o resto da vida a olhar para os lírios", disse, antes de pedir, tal como faz sempre o papa: "Rezem por mim".