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A reconstrução de Mossul

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A reconstrução de Mossul

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Um ano após a queda do grupo terrorista islâmico Daesh, a reconstrução da cidade iraquiana de Mossul avança lentamente. Entre nove e onze mil pessoas perderam a vida no conflito. Milhares de sobreviventes continuam a viver em campos.

A reconstrução enfrenta um obstáculo de peso. As bombas artesanais fabricadas pelos extremistas podem explodir a qualquer momento e a desminagem pode levar décadas. Estima-se que há oito milhões de resíduos explosivos de guerra nos escombros.

Apesar da devastação e do perigo, a população regressa a Mossul e tenta recomeçar de novo. É o caso de que Mohamad Sagar Wadd que lançou uma geladaria.

"Voltámos há oito meses. A vida é melhor agora. Estamos a trabalhar. Mas, a economia está estagnada. Precisamos de electricidade e de água. O governo tem de reconstruir as casas e as escolas", disse Mohamad Sagar Wadd.

Voltar a trabalhar é o desejo dos sobreviventes mas os que ficaram mutilados enfrentam mais obstáculos. 54 mil pessoas ficaram feridas desde o inicio da guerra. Adil trabalhava como taxista, perdeu dois filhos e ficou sem uma perna tal como a a filha de 11 anos.

" Estava com os meus filhos, prestes a abrir a porta quando se deu a explosão. Eu perdi consciência. A minha filha morreu no hospital e o meu filho de três anos morreu a caminho do hospital.", contou Adil Abdul Ghamy.

Bombas visíveis a olho nu

A reinserção dos sobreviventes e a eliminação dos explosivos são as grandes prioridades do Serviço Humanitário da União Europeia que financia várias ONGs.

A associação norueguesa Ajuda do Povo Norueguês está atualmente a avaliar a extensão da chamada contaminação por bombas artesanais nas aldeias a leste de Mossul. No distrito de Hamdaniya, as bombas podem ser vistas a olho nu.

Ao longo da guerra, a grupo Estado Islâmico tornou-se especialista em bombas artesanais bastante complexas.

"O que encontramos na aldeia de Tarjala é típico do que se encontra no norte do Iraque após o conflito com o Daesh. Há toda uma área em que é possível encontrar bombas artesanais do tempo da guerra. Podemos ver aqui tubos de pressão e cinco projéteis que serviam como alerta e proteção para as forças do Daesh", contou Christian Ramsden, técnico da ONG norueguesa.

Uma das organizações apoiadas pela Ajuda Humanitária da UE já limpou uma área de quase 12 mil metros quadrados à volta da aldeia de Badana.

"Foram identificadas mais de setentas mil bombas artesanais até agora e à medida que trabalhamos vemos que o número de áreas perigosas aumenta. Nesta área, as bombas artesanais ocupam mais de dois ou três quilómetros", acrescentou o responsável.

Na aldeia de Kabarli, a ONG Norueguesa inspecionou e retirou todos os explosivos de uma escola. Em breve, 900 estudantes vão voltar a ter aulas.

"Eles vão ter de esquecer o Daesh e tudo o que lhes aconteceu nos últimos quatros anos. É a missão dos professores", sublinhou o professor de inglês Hussan Younis.