Estará mesmo Trump a defender os suspeitos de assédio sexual?

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De  Francisco Marques  com Reuters
Donald Trump aproveita comício para tentar descredibilizar professora
Donald Trump aproveita comício para tentar descredibilizar professora   -   Direitos de autor  REUTERS/Jonathan Ernst   -  

O presidente dos Estados Unidos aproveitou um comício no Mississípi para troçar de Christine Blasey Ford, a professora quer denunciou o nomeado de Trump para o Supremo Tribunal por alegada tentativa de violação há 36 anos.

"É uma situação assustadora quando se é culpado até que se prove inocência"

Donald Trump Presidente dos EUA

Já depois de ter dito que a América atravessa "uma situação assustadora" devido à pressão criada por campanhas como a do movimento #MeToo, Donald Trump reinterpretou de forma sarcástica a audiência da alegada vítima de Brett Kavanaugh.

"Há 36 anos, aconteceu isto: tomei uma cerveja! Bem, pensavam que?... Não, foi só uma cerveja", começou por dizer, assumindo a voz de Ford, passando depois ao diálogo da audiência onde Ford admitiu não se lembrar de alguns pormenores, mas ter certeza de ter sido atacada por Kavanaugh.

"Bem, como é que chegou a casa? Não me lembro. Como chegou ali? Não me lembro. Onde ficava o sítio? Não me lembro. Há quantos anos foi? Não sei...", disse Trump perante os aplausos da assistência.

Horas antes, ainda à porta da Casa Branca, o presidente americano explicava a "situação assustadora" de "quando se é culpado até que se prove a inocência".

"Toda a minha vida ouvi dizer que éramos inocentes até prova em contrário, mas agora somos culpados até provarmos inocência", disse Trump, numa clara crítica aos movimentos como #MeToo que têm vindo a apontar o dedo a diversas personalidades, incluindo ao próprio presidente americano, por alegados atos de assédio ou mesmo agressão sexual.

Na semana passada, a Comissão de Justiça do Senado ouviu os testemunhos de Kavanaugh e Ford. A professora universitária acusou o juiz de, embriagado, a ter tentado violar no verão de 1982.

A nomeação de Kavanaugh para o Supremo ficou em risco após o FBI ter aberto uma investigação, aprovada por Trump, às denúncias de várias mulheres contra Kavanaugh.