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Matera, a Capital da Cultura que quer acolher o mundo de braços abertos

De  Marta Brambilla
Matera, a Capital da Cultura que quer acolher o mundo de braços abertos

Na década de 50, esta jóia de pedra situada no coração da Basilicata era conhecida pelas condições degradadas em que os habitantes viviam nas famosas Sassi: cavernas esculpidas nas rochas.

Hoje, essa decadência desapareceu e na cidade há um espirito diferente.

Desde que Matera recebeu a nomeação de Capital Europeia da Cultura, em 2014, todos assumiram o compromisso de realizar um projeto sociocultural em que acreditam e que para eles representa a redenção e a oportunidade de mostrar a cidade de uma forma nova e maravilhosa.

O diretor-geral da Matera - Basilicata Fundação 2019, Paolo Verri, explica como conseguiram a nomeação.

"Por um lado criámos conteúdos inovadores e, por outro, tentámos entender o que a Europa poderia querer de uma Capital da Cultura em Itália. Certamente algo que estivesse ligado ao conceito de comunidade e da praça, algo que foi muito popular e inovador. Focámo-nos principalmente no facto de não competir com outras cidades, mas de cooperar".

O lema do evento é "Open Future", um título que junta o conceito de futuro e inovação para a cidade com o de abertura.

Numa altura em que se fecham fronteiras e se aumentam tarifas, Matera foca-se no diálogo e na capacidade de abrir o seu coração e as suas casas para receber o mundo. Uma ideia sublinhada por Paolo Verri.

"Matera foi declarada capital da hospitalidade mesmo antes de se tornar capital da cultura. É um lugar onde as pessoas assim que te conhecem começam logo a conversar contigo. Os habitantes são e serão sempre o nosso ponto forte. A cultura que Matera quer compartilhar é feita de todos e para todos."

Todos ajudaram neste objetivo. As luzes que vão ser acesas durante a cerimónia de abertura foram colocadas pelos habitantes em oficinas organizadas em escolas, hospitais ou centros para idosos. E centenas de moradores ensaiam a peça o "Purgatório de Dante", em colaboração com os habitantes de Ravenna, outra cidade italiana.

E depois, claro, há os voluntários, imprescindíveis para o sucesso do evento, como recorda o diretor-geral.

"Há um grupo de jovens que entendeu de imediato que havia uma grande ligação entre o seu futuro pessoal e o que está a ser feito agora. E houve tambémum grupo de pessoas mais velhas que entendeu que podia finalmente acabar com o que ouviu durante anos... que Matera era a vergonha de Itália."

A data que todos anseiam na cidade é 19 de janeiro de 2019, o dia da cerimónia de inauguração. Durante cerca de 12 horas, a cidade tornar-se-á na Europa. A Europa positiva, a Europa dos povos, de uma cultura que une e não divide as pessoas.

E, como assinala a jornalista da Euronews, Marta Brambilla Pisoni, "quando a noite cai, Matera transforma-se num presépio natural, um cenário único no mundo, que vai marcar a cerimónia de abertura a 19 de janeiro."