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Repatriamento de antigos militantes do Daesh

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De  Patricia Tavares
Repatriamento de antigos militantes do Daesh
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Euronews: "Não perdoa o seu filho?"<br><br>Sefik Cufurovic: “Não o consigo perdoar. Ele não merece perdão."

Quando Sefik soube que o filho Ibro tinha viajado para a Síria para se juntar ao Daesh, o impensável passou pela sua cabeça: "Só queria que uma granada explodisse e o desfizesse em pedaços."

Ibro tinha 19 anos quando deixou a Bosnia Herzegovina. A fotografia no relatório da polícia é a única que Sefik guarda do filho - que diz ter desaparecido para sempre.

Se tivesse um filho, ele estaria aqui comigo. Quando anunciaram a sentença, um jornalista ligou-me e perguntou se eu sabia que ele tinha sido condenado a 4 anos de prisão, mas de dependesse de mim, teria sido a pena de morte.
Sefik Cufurovic

Milhares de jovens europeus foram atraídos pelas ideias radicais do grupo terrorista Estado Islâmico.

Agora que o Daesh saiu derrotado militarmente, alguns países começaram a repatriar os antigos combatentes.

A Bósnia e Herzegovina anunciou que o faria, no final do ano passado.

Os sete homens repatriados em Dezembro estiveram neste tribunal para enfrentar acusações. A Bósnia foi um dos primeiros países da Europa a introduzir penas de até 10 anos de prisão a cidadãos que lutam num conflito no estrangeiro ou recrutam outros para lutar.
Anelise Borges
Sarajevo

Mas as autoridades de outras zonas do país discordam da decisão - e têm uma visão diferente sobre as motivações.

Acho que há muita pressão sobre a Bósnia e o Kosovo por parte dos países da coligação, principalmente dos Estados Unidos, que mantiveram muitos terroristas do DAESH nos seus campos. Para se livrarem desses campos, os Estados Unidos estão a pressionar os outros países a repatriar os cidadãos nacionais.
Dragan Lukac
Ministro do interior Republika Srpska

A retirada dos Estados Unidos do nordeste da Síria levantou questões sobre o destino dos combatentes estrangeiros do DAESH e das famílias.

Muitos países da UE - incluindo França e Alemanha - mostraram uma certa relutância quanto ao repatriamento, argumentando que será difícil processar os combatentes do DAESH devido à falta de provas sobre os crimes cometidos na Síria e no Iraque.

A questão da justiça é central num debate sobre a desradicalização que afeta países de todo o mundo

O plano da Bósnia e Herzegovina é envolver as famílias em programas de reintegração social e segundo o governo, muitos já se voluntariaram. No entanto, alguns pais ainda não estão prontos para perdoar.