Campo de deslocados em Moçambique exposto à covid-19

Access to the comments Comentários
De  Euronews  com LUSA
Deslocados da violência armada em Cabo Delgado no campo de Metuge
Deslocados da violência armada em Cabo Delgado no campo de Metuge   -   Direitos de autor  RICARDO FRANCO/ 2020 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

Há uma linha ténue que separa as boas práticas sanitárias da total ausência de regras e cuidados de saúde pública, em Metuge. Neste campo de deslocados de Moçambique, com ou sem covid-19, a aquisição de bens essenciais é a prioridade. 

Apesar do trabalho de sensibilização das associações no terreno, onde há falta de mantimentos e água potável, o uso de máscaras é muitas vezes desvalorizado.

Mustafá Ali Azito, membro da Organização Não-Governamental (ONG) "Ayuda en Acción", diz que "não é à primeira que elas acatam, pensam que não é uma coisa propensa para elas, que elas estão dotadas de resistência. [Essa] é um parte. E a outra parte - acrescenta - é ignorância".

No campo, onde vivem refugiadas mais de 10 mil pessoas, é também muito difícil assegurar o distanciamento social.

As condições em que as famílias, geralmente numerosas, vivem são denunciadas pelo bispo de Pemba, Luiz Fernando Lisboa.

"No acampamento, cada tenda tem duas famílias, é um aglomerado de pessoas. As crianças brincam o tempo todo juntas, então infelizmente ficou em segundo plano a covid-19", afirma.

Metuge é um distrito de Cabo Delgado, a província moçambicana onde se estima que, nos últimos três anos, os ataques do autoproclamado Estado Islâmico tenham feito mais de mil mortos e 200 mil desalojados. É também a face mais visível de uma crise humanitária sem fim à vista.