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Comunidade internacional pede interdição do espaço aéreo bielorrusso

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De  Ricardo Figueira
Comunidade internacional pede interdição do espaço aéreo bielorrusso
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O avião da Ryanair que chegou a Vílnius na noite de domingo, proveniente de Atenas, depois de uma escala em Minsk que não estava no plano, chegou com passageiros a menos: Pelo menos um que está a dar que falar e a fazer virar os canhões da opinião pública contra o regime do presidente bielorrusso Alexander Lukashenko.

A primeira-ministra da lituânia, Ingrida Simonyte, promete "trabalhar com os parceiros internacionais no sentido de fechar o espaço aéreo bielorrusso aos voos internacionais".

A prisão do jornalista dissidente Raman Protasevich depois do desvio do avião para Minsk, forçado pelas autoridades bielorrussas a pretexto de uma falsa ameaça de bomba a bordo, está a ser a gota de água nas relações entre Minsk e o resto da Europa, já bastante tensas desde as eleições que ditaram, em agosto, a ascensão de Lukashenko a um sexto mandato consecutivo e uma repressão, sem precedentes, dos opositores.

Nigel Gould-Davies, antigo embaixador do Reino Unido em Minsk, diz que este episódio manda várias mensagens: "A primeira é que Lukashenko deixou de se importar com o que a comunidade internacional pensa. A segunda, não intencional, é que se sente inseguro. A outra é que ninguém está a salvo da repressão bielorrussa".

Lukashenko deixou de se importar com o que a comunidade internacional pensa.
Nigel Gould-Davies
Ex-embaixador do Reino Unido em Minsk

Mesmo a Rússia, aliada tradicional de Lukashenko, resiste a sair em defesa de Minsk, embora o tom do chefe da diplomacia de Moscovo, Serguei Lavrov, seja bastante mais prudente:

"Queremos analisar esta situação sem pressas, com base em toda a informação disponível, sobretudo tendo em conta que um representante do ministério bielorrusso dos Negócios Estrangeiros deu um depoimento detalhado e frisou a prontidão das autoridades bielorrussas em agir, nesta matéria, de forma transparente", disse Lavrov.

O governo bielorrusso mantém a versão de que agiu dentro da legalidade, ao intercetar um voo comercial depois de ter recebido um alerta de bomba a bordo, segundo a nota publicada na Internet pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Minsk. Acusa ainda os governos dos países europeus de querer politizar esta questão. Mas a verdade é que Protasevich foi detido. Segundo fontes citadas pela agência EFE, pode ser acusado de terrorismo e condenado à morte.