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"Estamos a fazer tudo o que podemos para estarmos saudáveis"

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De  Francisco Marques
Jogos Olímpicos de Tóquio tentam evitar surto de infeções entre atletas
Jogos Olímpicos de Tóquio tentam evitar surto de infeções entre atletas   -   Direitos de autor  AP Photo/Kiichiro Sato, Arquivo   -  

As diversas equipas olímpicas estão a chegar a conta gotas a Tóquio, seguindo as regras impostas pelas autoridades do Japão para evitar a importação de casos através das comitivas que vão competir ou trabalhar no país no âmbito dos Jogos Olímpicos.

Os atletas tiveram de fazer testes à Covid antes de partir, tem de os fazer à chegada a Tóquio apresentar nos respetivos telemóveis ou computadores pessoais a aplicação informática "OCHA", fornecida pelo governo do Japão para agregar todas as informações de saúde necessárias para se entrar no país e registar diariamente o estado de saúde.

Os atletas apenas podem aceder ``a Aldeia Olímpica cinco dias antes de entrarem em prova nos Jogos Olímpicos e ali são obrigados a ficar, num género de bolha anticovid, quando não estão em competição.

Após terminarem as respetivas participações nos jogos têm 48 horas para abandonar a Aldeia Olímpica.

Mesmo com todas estas medidas, já há alguns casos positivos entre atletas em Tóquio. Não é, contudo, o caso da britânica Abigail Irozuru, atleta de salto em comprimento, com quem a Euronews falou esta terça-feira sobre os primeiros dias na capital nipónica.

"No Japão, estão a fazer tudo o que podem para garantir que não aconteça o surto de Covid-19 que muitos estão à espera. Se nós, enquanto atletas e membros das equipas, seguirmos os protocolos e as restrições... por exemplo, estamos a fazer testes todos os dias. Nós não éramos testados todos os dias nas últimas duas, três ou quatro semanas antes de virmos para os Jogos. Agora, estamos a fazer tudo o que podemos para estarmos tão saudáveis quanto possível", afirmou Irozuru.

Para os atletas que chegam mais cedo a Tóquio, foram preparados locais especiais para os acolher enquanto não podem entrar na Aldeia Olímpica. É o caso, por exemplo, da esgrimista italiana Mara Navarria.

"Ainda estou em Tokorazawa, na universidade Waseda, um campus universitário. Aqui a situação é muito mais descontraída. À parte o esfregaço do teste pela manhã e a atualização da aplicação 'OCHA', o resto do dia dividimos entre a arena e o dormitório, mas a expetativa já começa a subir, a ser mais realista, e isto é certamente a alegria dos Jogos Olímpicos", disse, de sorriso na face, a italiana, uma das favoritas às medalhas na respetiva modalidade.

A competição em Tóquio arranca já esta quarta-feira, com os torneios de futebol e de basebol, mas a abertura oficial acontece apenas na sexta-feira e os Jogos Olímpicos vão decorrer até dia 8 de agosto. Sem a presença de público nas bancadas, por motivos de segurança sanitária.

O facto de o SARS-CoV-2 ainda se manter muito ativo no país levou a que e a realização dos jogos no Japão não fosse do agrado de diversos residentes.

Alguns dos patrocinadores locais de Tóquio2020, como a Toyota, decidiram entretanto não realizar ações promocionais especificas no âmbito dos Jogos, alguns porque as provas não vão contar com o público nas bancadas.

Mesmo para a cerimónia de abertura, há diversos patrocinadores a cancelarem a presença pelo mesmo motivo.

Esta terça-feira, as autoridades de Tóquio anunciaram o registo em 24 horas de mais 1.387 infeções de SARS-CoV-2 na capital do Japão, refletindo a 31.ª semana consecutiva em agravamento de casos no quadro da Covid-19 da cidade.

Há uma semana, Tóquio registou 830 casos em 24 horas e, daí para cá, a média, sublinha o jornal "Japan Times", é de 1.180 casos diários na cidade-sede dos Jogos Olímpicos.

Cancelamento ainda é possível

De acordo com a organização dos Jogos, desde 1 de julho pelo menos 67 casos foram já registados entre as comitivas creditadas para competir ou trabalhar nos Jogos Olímpicos.

O chefe do comité organizador de Tóquio2020 admitiu hoje que o cancelamento dos Jogos continua na mesa devido à situação pandémica na cidade e no seio das comitivas olímpicas.

"Não podemos prever o que vai acontecer com o número de casos de coronavírus a aumentar. Vamos continuar a conversar se houver um surto de casos. Concordámos que de acordo com a situação deste coronavírus, iríamos voltar a ter conversações a cinco outra vez", disse Toshiro Motu, em conferência de imprensa.