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Arriscar a vida no Canal da Mancha

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De  Anelise Borges
Arriscar a vida no Canal da Mancha
Direitos de autor  Euronews   -  

A "selva de Calais", nome dado aos caóticos acampamentos na cidade portuária francesa, é uma imagem do passado, mas é a partir da linha de água daquela localidade que milhares de migrantes continuam a tentar chegar ao Reino Unido.

Mohamed fugiu do Afeganistão pouco depois da tomada do poder pelo regime Talibã. Esconde o rosto para a câmara da Euronews, mas abre o peito à esperança. 

"Já passou mais de um mês desde a última vez que falei com a minha família. Não sei onde eles estão. Eles já escaparam. Nós fugimos das nossas casas. Tudo o que tínhamos no Afeganistão, perdemos. E agora não sei o que vamos fazer. Estamos apenas à espera para ver se podemos ir para Inglaterra. Talvez haja esperança para nós," conta este migrante que já fez o pedido de asilo.

Reforço das patrulhas no Canal da Mancha

Passaram duas semanas desde a morte de 27 pessoas num naufrágio nestas águas do Canal da Mancha.  A França anunciou a criação de novas unidades policiais para combater as redes de contrabando. Há equipas da Frontex a sobrevoar o canal, mas o número de travessias não para de aumentar.

A tragédia não trava a ambição de quem vê na travessia a única saída. Nos últimos anos, milhares de pessoas passaram por Calais, na esperança de chegar ao Reino Unido. 

Nas contas do govermo francês, mais de 15 mil pessoas tentaram atravessar o Canal da Mancha nos primeiros oito meses deste ano - um aumento de 50 por cento em relação ao número para todo o ano 2020.

Apesar das repetidas operações de despejo em massa e das restrições ao fornecimento de assistência humanitária, segundo organizações não governamentais, pelo menos mil pessoas permanecem clandestinamente em Calais.

"Eles estão no limite aqui em Calais e prontos para fazer o que for preciso para atravessar.  Acrescentar um avião e dois helicópteros não vai mudar as coisas, apenas vai forçar as pessoas a correr ainda mais riscos. Vão atravessar em condições ainda piores, por exemplo quando há nevoeiro para não serem vistos pelos aviões," explica Ludovic Holbein.

A acrescentar dificuldade ao cenário já difícil, França e Reino Unido não se entendem sobre uma estratégia comum para o controlo das travessias.