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Covid-19 "infeta" Manchester United e Liga inglesa aceita adiar visita ao Brentford

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De  Francisco Marques
Equipa de Cristiano Ronaldo suspendeu a atividade na segunda-feira
Equipa de Cristiano Ronaldo suspendeu a atividade na segunda-feira   -   Direitos de autor  AP Photo/Rui Vieira   -  

A Covid-19 está a alastrar pelo Reino Unido e já está a ter impacto no futebol, com a visita desta terça-feira do Manchester United a Brentford a ser adiada devido a um surto na equipa de Cristiano Ronaldo, Bruno Fernandes e Diogo Dalot.

Com mais de 40 infeções diagnosticadas na Liga inglesa só na última semana e a variante de preocupação (VdP) Ómicron em rápida propagação pela Grã Bretanha, a direção da Liga Inglesa decidiu jogar pelo seguro e aceitou o pedido do clube de Old Trafford para adiar o jogo em Brentford, referente à 17.ª jornada.

A atividade da equipa agora treinada pelo alemão Ralf Rangnick já tinha sido suspensa na segunda-feira numa tentativa de travar as infeções.

Os elementos com testes positivos foram colocados em isolamento.Entre eles há jogadores, que não foram identificados, mas que a direção da Liga inglesa entendeu justificar o adiamento do jogo para data a anunciar.

O organismo que tutela o principal campeonato britânico decidiu ainda resgatar as medidas de segurança do protocolo Covid, incluindo o aumento da testagem de jogadores e equipas técnicas dos diversos clubes, reimpor o uso de máscaras em espaços fechados, o distanciamento de segurança e limitar o tempo para tratamentos.

O treinador do Watford, o italiano Claudio Ranieri, afirmou esta terça-feira que "nos próximos dias haverá mais jogadores com problemas".

"Mesmo as pessoas que receberam duas doses da vacina podem contrair o vírus, este novo vírus. É muito, muito difícil", reconheceu o italiano.

Penso que mais cedo ou mais tarde vão haver mais jogadores [infetados] e jogos que não podem ser jogados. É muito, muito triste.
Claudio Ranieri
Treinador do Watford, da Primeira Liga inglesa

A decisão de adiar jogos devido à Covid-19 é tomada caso a caso porque, em Inglaterra, não há um limite mínimo de jogadores por equipa estabelecido para haver jogo, o que permite defender a competição e evitar o sucedido em Portugal com o jogo entre a B-SAD e o Benfica, no Jamor.

O "jogo da vergonha"

A 27 de novembro, um dia depois de a Ómicron ter sido catalogada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma VdP, a B-SAD apresentou-se a jogo no Estádio Nacional com apenas nove jogadores disponíveis, dois deles guarda-redes, e apenas dois jogadores de campo do plantel principal. Um vasto surto de Covid-19 tinha arrasado o plantel nos dias anteriores.

Logo após o início da segunda parte e com a B-SAD já só com sete jogadores em campo, a lesão de um outro jogador azul deixou os "azuis" com seis elementos e foi isso motivou a interrupção do que foi descrito como "o jogo da vergonha" do futebol português.

O resultado estava em 0-7 para o Benfica e assim foi homologado, mas não sem levantar a discussão em torno da forma como deve ser gerido o impacto da Covid-19 no futebol. Viria a saber-se depois que pelo menos 13 dos casos diagnosticados na B-SAD eram já resultado da Ómicron, os primeiros desta VdP em Portugal.

Após um jogo de "empurra culpas", com a Liga a responsabilizar a B-SAD por não ter formalizado um pedido de adiamento da partida, já houve dois jogos adiados devido a surtos de Covid-19 nas equipas: o Vizela - B-SAD e o Tondela - Moreirense, ambos da 13.ª jornada.

Regras em alteração

O debate sobre o sucedido no Jamor levou a direção da Liga portuguesa a começar a preparar uma alteração das regras do campeonato para que apenas sejam permitidos jogos em que existam no mínimo 13 jogadores por equipa. O limite já imposto pela UEFA nas provas europeias, onde há pelo menos um jogo por disputar.

A partida entre o Tottenham e o Rennes, da derradeira jornada da fase de grupos da Liga Conferência Europeia, foi cancelado devido a um surto que afetou 13 jogadores dos ingleses e aguarda ainda por uma decisão final da Comissão de Controlo, Ética e Disciplina da UEFA.

"Se não for possível reagendar o jogo dentro do prazo final estabelecido no Anexo J.4.1, o cluibe que não pôde jogar será considerado responsável", lê-se no comunicado da UEFA, admitindo um cenário em que o Tottenham ainda poderá ser eliminado da competição.