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"Estamos zangados, estamos assustados, estamos nervosos e não sabemos o que fazer"

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De  Valérie Gauriat
Muitos residentes de Kiev usam agora o metro como abrigo antibombas
Muitos residentes de Kiev usam agora o metro como abrigo antibombas   -   Direitos de autor  AP Photo/Emilio Morenatti   -  

A invasão da Ucrânia pela Rússia está a gerar mais uma imagem que traz à memória o terror da Segunda Guerra Mundial. Os túneis do metro de Kiev estão a assemelhar-se aos de Londres, na década de 40 do século XX, quando os alemães lançaram uma ofensiva de bombardeamentos sobre a capital britânica.

A Euronews está a acompanhar no terreno a invasão russa da Ucrânia e a jornalista Valérie Gauriat esteve junto das pessoas que procuram abrigar-se das bombas no metro de Kiev.

Entre elas, encontrámos Kateryna Mala, que ainda tenta encontrar forma de conseguir viajar para a Polónia com a família.

Perguntamos-lhe pelos sentimentos que carrega nestes momentos de incerteza pela guerra em que foi apanhada. "Estamos zangados. Estamos assustados. Estamos nervosos. Não sabemos o que fazer porque esta é a nossa casa, é a nossa cidade, é o nosso país. Mas devemos partir para salvar as nossas vidas e isto é devastador", confessou Kateryna a Valérie Gauriat.

Sentada numa carruagem do metro transformada em sala de espera por dias melhores, encontrámos Anabel Chupryna, uma ucraniana com fé no sucesso dos militares ucranianos perante a ofensiva das forças do Kremlin.

"Sinto-me segura aqui. Há aqui famílias, conhecidos, amigos, mas, não sei, temos ainda muito tempo de espera e eu tenho esperança que isto vá acabar bem. Acreditamos nas nossas forças. Tenho fé que tudo isto venha a acabar em algo de bom", desejou Anabel.

A nossa jornalista sentiu nos túneis do metro de Kiev muita preocupação, reflexão e também incompreensão pela aparente passividade da comunidade internacional.

Oleksander Kryvtsun, por exemplo, reitera o pedido de ajuda à comunidade europeia. "Devem banir a Rússia do sistema bancário Swift. Devem ajudar-nos com mais força e precisamos que nos ajudem a fechar o céu", disse Oleksander, referindo um bloqueio dos satélites russos, uma das formas que o governo ucraniano sugeriu para a ajuda internacional sem necessitar de colocar militares no terreno.

Enquanto essa ajuda não chega e a resistência ucraniana vai aguentando a pressão de Vladimir Putin, esperar é agora a rotina de quem ficou em Kiev e procura nestes abrigos improvisados estar a salvo dos bombardeamentos agora mais frequentes sobre a capital da Ucrânia.