Criar uma rede de proteção social no norte de Moçambique

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De  Teresa Bizarro  com Lusa
A Organização Internacional das Migrações diz que a guerra no norte de Moçambique já fez perto de 800 mil deslocados - ARQUIVO
A Organização Internacional das Migrações diz que a guerra no norte de Moçambique já fez perto de 800 mil deslocados - ARQUIVO   -   Direitos de autor  Marc Hoogsteyns/AP

Os parques de casas improvisadas no norte de Moçambique, cresce à medida que a guerra em Cabo Delgado se prolonga. A partir dapequena aldeia de Mieze,nos arredores de Pemba,mais de 25 mil deslocados vão receber apoio de uma organização não governamental portuguesa.

A Helpo quer criar uma rede comunitária de proteção social. "Um apoio mais virado para as crianças e jovens, mas também para as famílias, para que consigam integrar-se e refazer as suas vidas," explica Carolina Reis, gestora de projecto da organização.

Em Mieze lançam-se as bases para uma rede social que nada tem de virtual. A helpo junta pessoas de vários setores e dá-lhes formação para detetar e responder às fragilidades causadas pela guerra.

Nas palavras de Carolina Reis, "o projeto vai no sentido de capacitar as comunidades e os líderes dessas comunidades. Nós falamos muito nos primeiros-socorros psicológicos, de forma a que consiga estar alerta aos sinais que as crianças manifestam e possa intervir e encaminhar para sítios onde se possa dar uma resposta e tratar esse trauma que a criança poderá apresentar".

O fundo de emergência escolar será uma das faces mais visíveis do projeto. Destina-se às famílias mais vulneráveis entre os deslocados de guerra e vai abranger num primeiro momento 3000 crianças.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas vive dias sombrios desde 2017, altura em que rebeldes armados ligados ao Daesh desencadearam um onda de ataques. Um conflito que já fez perto de 4 mil mortos e 800 mil deslocados.