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FMI baixa para 3,6% a perspetiva de crescimento global em 2022 e 2023

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De  Euronews
Unidade industrial
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O Impacto da guerra na Ucrânia espalha-se pelo mundo como ondas sísmicas, tendo levado o Fundo Monetário Internacional (FMI) a rever em baixa as previsões de crescimento global.

As melhores perspetivas do FMI não vão além dos 3,6%, menos 0,8% do que previsto em janeiro, como diz conselheiro económico do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas: "Em comparação com a nossa previsão de janeiro, revimos a nossa projeção de crescimento global em baixa para 3,6%, tanto em 2022 como em 2023. Isto reflete o impacto direto da guerra na Ucrânia e das sanções na Rússia, prevendo-se que ambos os países sofram contrações acentuadas".

Esta revisão surge num cenário de aumento de preços de combustíveis, matérias-primas, alimentação e de subida de taxas de juro, que vão afetar sobretudo as nações mais pobres e mais endividadas, ameaçando anular a retoma que estava a ser sentida após a crise da pandemia.

É um contexto de grande incerteza, que depende do evoluir da guerra. Estima-se que a inflação vá manter-se alta durante um tempo que ninguém consegue prever.

A crise será o foco dos funcionários das finanças mundiais que se reúnem em Washington esta semana - virtualmente e pessoalmente - para as reuniões da primavera do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial.

O relatório mostra a Ucrânia a sofrer um colapso de 35% da sua economia este ano, enquanto o PIB da Rússia cairá 8,5% - mais de 11 pontos abaixo das expectativas anteriores à guerra.

As nações europeias assistirão a um crescimento muito mais lento à medida que a guerra fizer subir os preços dos combustíveis e dos alimentos, empurrando a inflação para cima e mantendo-a lá por mais tempo do que o esperado, o que prejudicará os países de todo o mundo, especialmente as nações emergentes e em desenvolvimento.

Os Estados Unidos e a China também sentirão os efeitos da guerra e o impacto contínuo da pandemia de Covid-19, esperando-se que o crescimento dos EUA abrande para 3,7%, e o da China para 4,4%.

A inflação deverá atingir 5,7% nas economias avançadas este ano e 8,7% nas nações em desenvolvimento.

"Mesmo antes da guerra, a inflação tinha aumentado em muitas economias devido ao aumento dos preços das matérias-primas e aos desequilíbrios entre a oferta e a procura induzidos por uma pandemia", disse Gourinchas.

Agora, a escassez causada pela guerra "irá amplificar grandemente essas pressões, nomeadamente através de aumentos no preço da energia, metais e alimentos", acrescentou.

Espera-se que os problemas de abastecimento em alguns setores durem até ao próximo ano, enquanto a inflação elevada será elevada por "muito mais tempo" do que anteriormente previsto.